
Em 18 de junho de 1908, o vapor Kasato Maru atracou no Porto de Santos trazendo 781 imigrantes — 165 famílias — vindas de Kobe, Japão, após 52 dias de viagem. Esses pioneiros chegaram ao Brasil como trabalhadores contratados para os cafezais do oeste paulista, cumprindo o acordo entre os governos do Japão e do Estado de São Paulo.
Desde então, Santos se consolidou como marco zero da imigração japonesa no Brasil, sendo palco de transformações que mudaram a paisagem social, cultural e econômica da região. Desde o Porto, muitos imigrantes se espalharam por áreas como Ponta da Praia, Marapé, Saboó, Campo Grande e Morro da Nova Cintra, contribuindo fortemente no abastecimento local por meio da pesca e da horticultura e também, de diversas formas em em muitos segmentos, na cultura.
Raízes
Embora inicialmente destinados às lavouras de café, muitos japoneses acabaram migrando para o litoral, retornando a Santos em 1908. Outras levas seguiram em 1910 (Ryokun Maru) e posteriormente, expandindo a presença japonesa em São Paulo. A adaptação, porém, enfrentava dificuldades: contratos rigorosos, pobreza, barreiras linguísticas e, durante a Segunda Guerra, até remoções forçadas por decreto federal.
Apesar dos obstáculos, a colônia resistiu e reestruturou-se. Estabelecida em barracos, a comunidade desenvolveu técnicas de cultivo próprio – hortaliças, pesca –, vendidas em cestas pelas ruas de Santos, e contribuiu decisivamente para o abastecimento local.

Reverência
Em 2023, a Prefeitura de Santos inaugurou, no Novo Quebra‑Mar (José Menino), dois espaços que rendem reverência a esse passado: a Praça das Gerações e o Jardim Japonês, com elementos paisagísticos e escultóricos que simbolizam a trajetória nipo-brasileira.
A Praça das Gerações traz piso de mosaico branco e vermelho, quatro arcos com lanternas de pedra (shimen shinto) representando as gerações nissei, sansei, yonsei e gossei, além da escultura do Armazém XIV, onde o Kasato Maru atracou.
O Jardim Japonês, presente da comunidade local, oferece trilhas zen com seixos, pedras, bambus, lanternas e um monólito “18 de Junho” em memória das 165 famílias do Kasato Maru.
No centro da Praça, o Memorial de Desembarque dos Imigrantes Japoneses (1998), de Cláudia Fernandes, exibe uma família de imigrantes em bronze, junto da pedra gravada com “A esta terra”.
Inovação
Desde 2023, por meio de aplicativo e QR Code, visitantes podem visualizar o Kasato Maru em 3D, em tamanho real, com informações em português, inglês e japonês.
PROGRAMAÇÃO
As comemorações terão hoje atos simbólicos de reverência à memória dos pioneiros. Às 9h, será realizada uma cerimônia no Cemitério do Paquetá, com o depósito de flores e um minuto de silêncio em homenagem a Sakae Mine, o primeiro intérprete japonês que chegou ao país a bordo do navio Kasato Maru.
Logo depois, por volta das 10h, a comitiva segue para o Emissário Submarino. Lá, será prestada nova homenagem junto ao Monumento do Imigrante Japonês, com palavras do presidente da Associação Japonesa de Santos, Paulo Miyasiro. As flores depositadas simbolizam o respeito e a gratidão da comunidade nipo-brasileira às gerações que ajudaram a construir a história do país.


Deixe um comentário