
Referência em teatro de rua e transformação social há 22 anos, o Coletivo Circo no Beco leva a Mongaguá o espetáculo “Os Tolos”, livre adaptação de Os Cegos (1933), do dramaturgo belga Michel Ghelderode (1898-1962). As apresentações acontecem neste sábado, 30 de agosto, às 15 horas, na sede da Associação Amigos do Bairro Cavalo Marinho (Rua Atum, 2163 – Cidade Balneário Marinho), e no domingo, 31 de agosto, também às 15 horas, na Praça Fernando Arens, no Centro. A entrada é gratuita.
A montagem integra a itinerância do grupo por cidades do estado de São Paulo, que já inclui Campinas, Valinhos, São Bernardo do Campo, Ubatuba e a capital.
Uma fábula sobre a cegueira da alma
Com direção de Gabi Winter e André Schulle (que também integra o elenco), a peça traz ainda os atores Julia Bertollini, Luiz Felipe Choco e MariadaGloria. O cenário é de Jr. Eliseu, figurinos de Marian Hernandes, trilha sonora de Danilo Rodrigues e Danielle Siqueira, e adereços de Lúcio Maia, também coordenador geral do projeto.
O espetáculo traz três personagens, totalmente deslocados da realidade, que partem em busca da mítica Cidade Utópica, onde tudo seria possível. No caminho, encontram Lamparina, que vive no mundo real e os alerta de que perseguem um ideal ilusório — uma cidade que não existe. Para ela, deveriam buscar algo verdadeiro e essencial. Mas o grupo não lhe dá ouvidos e segue rumo ao desconhecido.
A narrativa parte da metáfora da “cegueira da alma”, discutindo a dificuldade humana de perceber e discernir diante dos desafios da vida. Apesar de escrito em 1933, o texto permanece atual e ganha, na adaptação, elementos contemporâneos que dialogam com o público jovem — como redes sociais, “web gurus”, a busca pela fama e o consumo acelerado de conteúdos irrelevantes.
Teatro de rua com circo, palhaçaria e música
Por ser uma criação do coletivo circense, “Os Tolos” também aposta em recursos como malabares, acrobacias e palhaçaria, além de referências à cultura do funk e do hip-hop.
O projeto é viabilizado pela Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), pelo ProAC da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, e pelo Ministério da Cultura.



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