
O Chiquinha Gonzaga Fest volta a movimentar a cena cultural de Santos em sua 3ª edição, celebrando o protagonismo feminino na música e promovendo uma programação plural e inclusiva. As atividades começam na sexta-feira, 15 de agosto, com um workshop gratuito comandado pelo produtor francês Jacques Figueras, que já trabalhou com nomes como Madeleine Peyroux e Mike Stern.
A oficina, marcada para as 14 horas, no Juicy Hub, no Gonzaga, apresenta o método B.R.A.V.O., criado por Figueras, que abrange todas as etapas de construção de um produto musical — da concepção do repertório à venda e pós-venda para casas de show, festivais e eventos. “Conheci o Jacques justamente por meio dessa oficina, que me ajudou muito e já transformou a carreira de vários artistas”, destaca Carla Mariani, uma das organizadoras.
Embora o festival tenha foco na valorização feminina, as inscrições para o workshop são abertas a artistas de todos os gêneros, especialmente aqueles com trabalho autoral que queiram levar seus shows para além do formato de barzinho, conquistando maior independência artística. O evento, intitulado “Método B.R.A.V.O. – Como Viver da Música que Você Ama”, vai das 14 às 17 horas, com participação presencial ou online. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até 14 de agosto.
Após a oficina, haverá pocket show de Raffa Pereira e a roda de conversa “Elas no Comando – Liderança e Protagonismo Feminino”, mediada por Fabiana Oliveira, reunindo artistas e produtoras da região para fortalecer redes de trabalho e amizade.
Festival acessível e diverso
A programação oficial começa no sábado, 16 de agosto, nos Arcos do Valongo, com entrada gratuita. Serão dois dias de apresentações musicais, feira gastronômica, feira de economia criativa e atrações para toda a família.
No sábado (16), as atividades começam às 14 horas com a Feira de Economia Criativa Afrotu, feira gastronômica e exposição de quadros com audiodescrição. O dia se encerra com o aguardado show de Tulipa Ruiz, às 22h45. Também sobem ao palco nomes como Chris Lobo e a Maleta Mágica (infantil), Tunuka, Anne Marie (com participação de Livy Star), Beatriz Lima e o rock potente da banda The Mönic.
No domingo (17), a programação tem início às 13 horas, com a reabertura das feiras e exposições. O público poderá assistir ao espetáculo infantil da Cia de Areia, à mágica de Juliana Bordallo e aos shows de Jacque Falcheti, Gabriela Machado, Joana Chaves e Assucena, que encerra o festival. Pocket shows, performances e poesia falada no Slam Chiquinha Gonzaga completam a agenda.
Acessibilidade e inclusão
Este ano, o festival apresenta uma novidade: o Espaço Zen, pensado para pessoas com crises de ansiedade ou que fazem parte do Transtorno do Espectro Autista (TEA). O espaço contará com assistente social, psicóloga, abafadores de ruído, spinner, plástico bolha, materiais de pintura e desenho. “É raro ver algo assim em festivais. Tivemos essa ideia após fazer um curso de acessibilidade. É um evento bem inclusivo”, explica.
Toda a programação — shows, oficinas e rodas de conversa — terá tradução em Libras. Além do palco principal, haverá o Palco Pocket Blackbird, com apresentações de 15 minutos nos intervalos dos shows.
Valorização e formação
Para Carla, o Chiquinha Gonzaga Fest vai muito além do entretenimento. “Queremos valorizar as mulheres na arte, que ainda são sub-representadas. Apenas 5% da distribuição de renda do ECAD – responsável pela arrecadação e distribuição dos direitos autorais – vai para mulheres. E quem criou esse modelo no Brasil foi uma mulher: Chiquinha Gonzaga. Ainda estamos longe da igualdade”.
Além de trazer nomes consagrados como Tulipa Ruiz e Assucena, o evento investe na visibilidade de artistas locais e na formação técnica de mulheres nos bastidores da música, com cursos para técnicas de som e aulas práticas. “É raro encontrar mulheres na montagem, som e iluminação. Justamente porque não existe formação. Queremos mudar isso”.
Estrutura e patrocínio
A terceira edição foi viabilizada com recursos do PROAC, Lei Aldir Blanc e Lei Rouanet, patrocínio da Autoridade Portuária e apoio de emendas parlamentares. “Enquanto um festival acontece, já estamos trabalhando no próximo. É sempre uma luta para viabilizar”, afirma.
Com curadoria que valoriza a diversidade de gêneros musicais, gerações e expressões artísticas, o Chiquinha Gonzaga Fest reafirma sua missão: celebrar o legado de uma das maiores compositoras brasileiras e promover cultura acessível, inclusiva e transformadora.


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