Cena

Casa das Culturas encerra o ano com programação especial

17/11/2025 Isabela Marangoni
Divulgação

A Casa das Culturas de Santos celebra seu primeiro ano de atividades como um dos espaços mais vibrantes, plurais e transformadores da Baixada Santista. Criada no âmbito da administração municipal e integrada ao planejamento cultural da cidade para os próximos anos, a iniciativa nasceu com um propósito claro: ampliar o acesso à cultura em Santos.

Para o diretor e curador Flávio Amoreira, a Casa materializa diretamente a visão do prefeito Rogério Santos, que idealizou o espaço como instrumento de integração e inserção social por meio das artes, com atenção especial a regiões vulneráveis como Vila Nova, Paquetá e Morros. “É um território onde diferentes expressões convivem sem hierarquias. Do popular ao erudito, para populações carentes daquilo que chamamos de acessibilidade cultural”.

MEMÓRIA E EXPERIMENTAÇÃO

Instalada em um casarão de 1900, tombado e totalmente revitalizado, a Casa funciona simultaneamente como centro cultural, espaço formativo e polo de memória, de terça a domingo, das 9 às 18 horas. Com 25 cômodos, quintal, chafariz, bosque e salas expositivas, o edifício se tornou, como de fine o curador, “um hub de experimentos estéticos e de inclusão da arte contra a barbárie”.

O local abriga exposições dedicadas a nomes funda mentais da cultura santista, como Vicente de Carvalho, Gilberto Mendes, Quintino de Lacerda e Alzira Rufino. Entre as novidades está o Memorial José Bonifácio, permanente, com acervo iconográfico, livros e interação holográfica — “fazendo com que José Bonifácio fale aqui”, explica.

FORMAÇÃO CULTURAL

A Casa se tornou um território de circulação contínua da arte, oferecendo saraus, batalhas de rima, slams – batalhas de poesia falada, corais, música renascentista, dança, exposições, oficinas, lançamentos de livros e peças teatrais. “A Casa é para todos. Precisamos vencer aquela síndrome dos jovens perguntarem se podem entrar”.

A parceria com a Fábrica 4.0 — que ocupa provisoriamente a função da Cadeia Velha em reforma — garante ainda aulas gratuitas de dança de salão e forró, além de salas destinadas a oficinas, biblioteca e atividades tecnológicas.

Também faz parte da rotina a visitação pedagógica: escolas da rede pública municipal frequentam o casarão de terça a sábado. “A cultura conversa com a educação”.

DESTAQUES

A programação de final de ano segue intensa e gratuita. No dia 18 de novembro, às 16 horas, acontece o lançamento do livro Mestre Sombra… Meu andar com a Capoeira, de Roberto Teles, reforçando o papel da Casa como um dos principais polos literários da região.

No feriado de 20 de novembro, dois saraus movi mentam o espaço — o Sarau Negritude e o da Comissão de Consciência Negra, a partir das 15 horas. A agenda de 2025 se encerra em 20 de dezembro, com retorno das atividades em 13 de janeiro, embora a Fábrica 4.0 mantenha programação contínua no edifício.

A Casa oferece ainda a oficina literária Como Se Tornar Escritor, aulas gratuitas de dança de salão e forró, saraus, encontros do Clube do Choro, atividades do projeto TAMTAM e, recentemente, passou a abrir aos domingos, das 9 às 18 horas.

Para o período de Natal e Ano-Novo, estão previstas oficinas de contos natalinos, apresentações de seis corais — dois deles temáticos —, leituras de poesia, lançamentos literários e uma iluminação especial idealizada pela prefeitura.

EXPANSÃO EM 2026

O planejamento para 2026 prevê uma ampliação significativa das ações. Entre as novidades anunciadas es tão: criação do Cineclube Cacilda Becker, com exibição de clássicos duas vezes por mês; inauguração de um elevador de acessibilidade; novas parcerias com universidades; ocupação dos jardins com oficinas de percussão, violão, desenho e dança; espetáculos teatrais; espaço expositivo para coletivos de artistas plásticos e fotógrafos sem acesso a galerias; e o início do Salão das Artes, idealizado como retomada da antiga Bienal de Artes de Santos. “Queremos que a Casa se torne um espaço de maior visibilidade das culturas e uma gale ria absolutamente pública”, resume.

PENSAMENTO, PALAVRA E FUTURO

A Casa também mira ser um centro de reflexão humanista em tempos digitais. “A Casa tem o propósito de ser a casa da palavra, da escrita humana, conversando com pensado res diante do avanço da inteligência artificial”.

Entre os planos futuros está a celebração do centenário do filósofo francês Gilles Deleuze e o fortaleci mento da vocação literária da cidade. “Queremos inserir Santos no cenário literário para além das nossas fronteiras, trazendo pensa dores e artistas nacionais e internacionais”.

APRENDIZADO E RECONHECIMENTO

No último ano, a Casa estruturou canais de comunicação, ganhou visibilidade, entrou no calendário turístico e conquistou participação crescente do público. “Se a Casa das Culturas não existisse, ela teria que ser inventada”, afirma o curador.

Hoje, integra circuitos de turismo histórico e cultural e atende uma região que antes carecia de espaços de convivência e expressão. “Santos é plural. Pensamos o mundo a partir do local e o local a partir do mundo”.

O convite final é direto: a Casa está aberta de terça a sábado, das 9 às 18 horas. Mais informações no Instagram @casadasculturasdesantos. “A Casa é plural e das culturas”.