
A cerimônia de aniversário reuniu autoridades, colaboradores e parceiros, que foram homenageados com uma placa simbólica
A Casa da Mulher de Santos, na Vila Mathias, celebrou seu primeiro ano de atividades consolidando um avanço importante nas políticas públicas voltadas às mulheres: a assinatura de uma parceria com o Instituto Autismo Brasil (IAB). A cerimônia de aniversário reuniu autoridades, colaboradores e parceiros, que foram homenageados com uma placa simbólica em reconhecimento à sua contribuição para a construção e evolução do equipamento.
A carta de intenções foi assinada na última sexta-feira (12), durante o evento. A parceria entre a Prefeitura e o IAB permitirá que mães atípicas — mulheres que cuidam de filhos com deficiência ou neurodivergência e muitas vezes enfrentam situações de violência e vulnerabilidade social — participem de cursos e oficinas voltados ao empreendedorismo. O projeto visa acolher, promover capacitação profissional e fortalecer a autonomia financeira.
Fabíola Julião, idealizadora do Instituto Autismo Brasil, destacou que o diálogo com a Secretaria da Mulher começou neste ano, motivado pela necessidade de dar visibilidade às violências enfrentadas por essas mães. “A Casa da Mulher é uma casa de todas as mulheres, mas especialmente daquelas que sofrem violência. A mãe atípica vive uma violência social constante, que vai da invisibilidade ao abandono e à violência doméstica”, afirmou.
Ela ressaltou que pesquisas indicam que cerca de 78% dos pais abandonam o lar após o diagnóstico de um filho com deficiência, aumentando a sobrecarga emocional e financeira dessas mulheres. “Muitas mães atípicas sofrem violência doméstica e, por terem filhos com deficiência, acabam suportando caladas”, completou.
A parceria deu origem ao projeto Renda Atípica, que será implementado a partir de 2026. A iniciativa transformará a Casa da Mulher em um polo de formação profissional, voltado tanto para mães que precisaram interromper suas carreiras quanto para aquelas que já empreendem. “A ideia é sair da reação e ir para a ação, prevenindo a violência. Autonomia financeira é proteção”, enfatizou Fabíola.
O projeto contará com o apoio do Sebrae, Senac e Senai, oferecendo cursos de capacitação, empreendedorismo e desenvolvimento de negócios. As formações incluirão desde qualificação técnica até estratégias de mercado, como precificação, posicionamento de marca e uso de redes sociais. “Nosso objetivo é que o projeto se torne nacional, mas começamos por Santos”, completo.
Resultados positivos
Para a secretária da Mulher, Cidadania, Diversidade e Direitos Humanos, Nina Barbosa, o primeiro ano da Casa da Mulher foi extremamente positivo, especialmente diante do preocupante cenário de violência contra a mulher no país. “O Brasil enfrenta uma escalada de violência doméstica. A Casa da Mulher foi estruturada para atender todas as mulheres, vítimas ou não, mas com atenção especial àquelas em situação de maior vulnerabilidade”, explicou.
Nina destacou que o atendimento vai além do suporte financeiro, abrangendo acompanhamento psicológico, orientação jurídica gratuita e proteção das mulheres com medidas protetivas, por meio do programa Guardiã Maria da Penha. “Não existe uma receita pronta para enfrentar a violência doméstica. Se existisse, não teríamos quatro mulheres assassinadas por dia no país”, lamentou.
Sobre a parceria com o Instituto Autismo Brasil, a secretária reforçou a importância do cadastro das mães atípicas e da capacitação integrada com o Sebrae. “Não se trata apenas de ensinar a produzir, mas também a vender, precificar e gerar renda. O que importa é que essas mulheres conquistem autonomia e dignidade”, afirmou.
Para o próximo ano, a Casa da Mulher planeja ampliar as ações existentes, renovar parcerias e expandir o atendimento para áreas mais distantes, como a Zona Noroeste, os morros e a Área Continental. “A Casa da Mulher precisa chegar onde as mulheres estão. Levaremos cursos, orientação jurídica e atendimentos por meio de ações itinerantes”, adiantou Nina.
Integração
Durante o evento, a vice-prefeita e secretária de Educação, Audrey Kleys, destacou a importância da integração entre as secretarias e o apoio do prefeito Rogério Santos para consolidar as políticas públicas. “Nada disso seria possível se o gestor não acreditasse nas ideias que surgem do território, da realidade vivida pelas pessoas”, afirmou.
Audrey também compartilhou o relato de Ericka Nunes dos Santos, que concluiu um curso de panificação, aprendeu a fazer bolos, doces e salgados, e, após receber atendimento psicológico e orientação adequada, conseguiu se reinserir no mercado de trabalho. “Ela me disse: ‘eu estou empregada’. Esse é o sentido deste lugar existir”, contou.
Ao encerrar, Audrey reforçou o propósito central da Casa da Mulher. “A informação salva vidas. Nosso objetivo é claro: salvar muitas mulheres. E vamos continuar fazendo isso, cada vez mais, a partir de 2026”.


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