Cena

Carpenters: há 55 anos Richard e Karen Carpenter chegavam ao primeiro lugar das paradas com ‘Close to You’

25/07/2025 Gustavo Klein
Divulgação

Em 25 de julho de 1970, os irmãos Richard e Karen Carpenter alcançavam, pela primeira vez, o topo da Billboard Hot 100 com uma canção que não era originalmente deles. “(They Long to Be) Close to You”, escrita pela dupla Burt Bacharach e Hal David, havia sido gravada por outros artistas, mas encontrou sua forma definitiva quando interpretada por Karen, com arranjo suave e engenhoso de Richard. A versão dos Carpenters transformou-se num clássico instantâneo, abrindo as portas de um sucesso mundial que ainda hoje reverbera.

CLÁSSICA E JAZZ

O início da jornada remonta a New Haven, Connecticut, onde Richard e Karen cresceram ouvindo de música clássica a jazz. Em 1963, a família se mudou para Downey, na Califórnia, fugindo dos invernos rigorosos e apostando nas oportunidades culturais de Los Angeles. Karen, inicialmente apaixonada pela dança, se encantou com a bateria. E não apenas tocava: dominava o instrumento com precisão rara. Mesmo depois de assumir os vocais principais da banda, insistia em se apresentar com baquetas nas mãos sempre que podia — e o fazia com maestria.

Richard, por sua vez, desde cedo demonstrava talento como pianista e arranjador. Estudioso, criativo e perfeccionista, ele encontrou na irmã a voz que parecia saída de um sonho. A química musical entre os dois era inegável, e levou à formação de grupos como o Richard Carpenter Trio e, mais tarde, a Spectrum — projetos importantes, mas que não chegaram a decolar.

Foi só em 1969 que, já como “Carpenters”, assinaram com a A&M Records. Herb Alpert, cofundador da gravadora, viu na dupla um potencial diferente: “A voz dela me tocou. Era a hora certa”. O primeiro single, uma versão melancólica de “Ticket to Ride”, dos Beatles, teve recepção modesta. Mas o sucesso viria logo depois, com o disco Close to You, em que a faixa-título ficaria no topo das paradas por quatro semanas seguidas, dando início a uma sequência impressionante de sucessos como “We’ve Only Just Begun”, “Rainy Days and Mondays”, “Superstar”, “Sing” e “Top of the World”.

SONORIDADE ÚNICA

A sonoridade dos Carpenters era inconfundível: arranjos vocais exuberantes, melodias limpas e emoção à flor da pele. Era música que não precisava gritar para ser ouvida. Richard criava camadas vocais com perfeição técnica, e Karen, com seu contralto raro e envolvente, cantava como se estivesse conversando com a alma do ouvinte. “Ela sentava no seu colo e cantava no seu ouvido”, descreveu Herb Alpert certa vez. Paul McCartney foi além: chamou-a de “a melhor voz feminina do mundo”.

Entre 1970 e 1975, a dupla lançou um álbum por ano e fez mais de 800 apresentações ao vivo, enfrentando um ritmo intenso que cobraria seu preço. Enquanto o sucesso os mantinha no topo, fora dos holofotes os desafios se acumulavam. Karen, sob pressão da indústria e dos padrões de beleza, lutava silenciosamente contra a anorexia. Richard, por sua vez, enfrentou o vício em calmantes prescritos, que o forçaria a fazer uma pausa em 1979 para tratamento.

ÚLTIMO SUCESSO

Ainda assim, os Carpenters seguiram produzindo. Em 1978, lançaram Christmas Portrait, que se tornou um clássico das festas natalinas. Em 1981, voltaram com Made in America, que traria o último grande sucesso da dupla, Touch Me When We’re Dancing. Dois anos depois, em 4 de fevereiro de 1983, o mundo perdia Karen, aos 32 anos, vítima de complicações cardíacas ligadas à anorexia. A notícia comoveu milhões e ajudou a lançar luz sobre os distúrbios alimentares — então pouco discutidos.

Apesar da tragédia, o legado dos Carpenters só cresceu. Richard seguiu cuidando do acervo da dupla, lançando coletâneas, álbuns póstumos e projetos especiais. Em 2018, ele produziu Carpenters with the Royal Philharmonic Orchestra, combinando os vocais originais com arranjos sinfônicos gravados no Abbey Road Studios. O resultado foi uma redescoberta emocionante para fãs antigos e novos.

Hoje, passadas mais de cinco décadas desde que Close to You encantou o mundo, a obra dos Carpenters continua tocando corações com a mesma força. Não há nota dissonante nessa história — apenas melodias eternas, lembranças doces e a certeza de que, como diz a canção, “We’ve Only Just Begun”.