
Mesmo com promessas recentes de conversas do Governo Federal com agricultores e pecuaristas, os alimentos continuam tendo aumentos significativos. O café moído, por exemplo, segue em tendência pesada de alta. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o produto acumulou inflação de 80,2% nos doze meses anteriores a abril. O relatório do IBGE dá conta de que essa é a maior variação acumulada em um período de 12 meses desde julho de 1994, início do Plano Real. Em abril, exclusivamente, os campeões foram a batata-inglesa e o tomate, que tiveram elevações de 18,29% e 14,32%, respectivamente. Neste mês, o café subiu 4,48%. Por outro lado, o preço do ovo – um dos alimentos mais caros do primeiro trimestre – está em tendência de baixa e, em abril, caiu 1,29%.
Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), no mês de abril houve um aumento de 0,43% nos preços, em vários setores da economia do páis. O resultado geral de preços mostra uma desaceleração em relação a março, quando o índice havia subido 0,56%. No entanto, o acumulado dos últimos 12 meses apresentou alta, passando de 5,48% em março para 5,53% em abril.
A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) da Baixada Santista segue monitorando o cenário. Preços altos de itens básicos, como batata, tomate e café, mexem com o orçamento familiar e a comida caseira, mas os aumentos também pressionam restaurantes e padarias, que enfrentam desafios para que os preços não recaiam totalmente sobre os clientes.
Entre os segmentos analisados, o de alimentação e bebidas se destacou, registrando um aumento de 0,82%. O único setor com retração foi o de transportes, o que auxilia o custo do frete para o setor gastronômico.
“Olhando especificamente para os produtos que foram os vilões dos índices do mês de abril passado, tivemos fatores climáticos adversos, por excesso de chuvas nas regiões produtoras de tomate e batata. O café é um caso à parte, pois se trata de uma ‘commodity’ negociada internacionalmente. Neste caso, devemos olhar não somente os aspectos climáticos no Brasil, mas em outras regiões produtoras ao redor do mundo. E nos deparamos com quebras importantes de safras em países asiáticos. Ao mesmo tempo, o dólar norte-americano em valores altos estimula as exportações, diminuindo a oferta no nosso país”, afirma o analista econômico, Ricardo Julio Rodil.
EXPECTATIVA
Segundo Rodil, a expectativa é de que os preços dos alimentos se mantenham relativamente estáveis até o final do ano, com leves tendências de alta dependendo das decisões sobre a taxa de juros e outros fatores como o mercado de trabalho e políticas internacionais.
“O rumo que as pressões inflacionárias terão depende das decisões do Banco Central sobre a taxa de juros e os efeitos do ‘tarifaço’ do presidente Trump. Há notícias sobre esfriamento do mercado de trabalho, se essa circunstância for mantida, a força da demanda agregada poderá diminuir, enfraquecendo um dos vetores da pressão inflacionária. Todos os fatores considerados, penso que podemos apostar numa manutenção do nível atual dos preços dos alimentos, com uma leve tendência de alta”, afirma o economista.
POLÍTICAS PÚBLICAS
O analista também observa que as políticas públicas focadas em disciplina fiscal são essenciais para controlar a inflação de forma mais ampla. “A isenção de impostos sobre o consumo (ICMS por exemplo) seria talvez a medida mais correta, mas tem de ser compensada com aumentos em impostos sobre outros produtos ou criação de outros tributos, que acentuam as distorções em diversos setores da economia”.
RECOMENDAÇÃO
De acordo com a Abrasel, a recomendação é para que os comerciantes negociem com fornecedores a fim de minimizar os impactos dos aumentos nos preços de insumos, principalmente o café.
“Como falamos nos últimos dois meses, a tendência era o preço do ovo cair após a Páscoa e, isso é muito positivo porque é ingrediente de quase todos os tipos de refeição, doces ou salgadas. Já a batata e o tomate, são casos específicos e precisam ter uma atenção especial do governo”, comenta o líder institucional da Abrasel Baixada Santista, Luan Paiva.


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