Cena

Bonde turístico de Santos chega hoje aos 25 anos com muita festa

22/09/2025 Da Redação
Arquivo/PMS

Em meio às festividades da Semana Mundial do Turismo, Santos presta homenagem especial ao bonde turístico, que completa 25 anos hoje (23). Marcando a data, a cidade reúne uma programação que valoriza memória, cultura, inovação e acessibilidade, destacando o bonde como símbolo do patrimônio santista.

A saga dos bondes em Santos remonta a 1871, quando foi inaugurado o primeiro sistema do país, originalmente puxado por burros e ligando a Vila Mathias à Barra do Boqueirão. Esse serviço lidava tanto com passageiros quanto com carga. Em 1909, a cidade vivenciou uma modernização significativa com a chegada dos bondes elétricos, que aos poucos substituíram os de tração animal.

A partir de então, a rede se expandiu, com linhas ligando bairros, a orla e até São Vicente. Durante mais de seis décadas, os bondes marcaram o ritmo da vida urbana, transportando trabalhadores, estudantes e turistas. O transporte regular por bonde funcionou até 28 de fevereiro de 1971, quando ocorreu a última viagem. A despedida encerrou um ciclo de cem anos de operação contínua, deixando um vazio na mobilidade e na identidade visual da cidade.

O resgate se deu em 2000, com a criação da Linha Turística do Bonde, que circula pelo Centro Histórico. Os veículos usados no circuito são bondes restaurados, muitos vindos de países como Escócia, Portugal, Itália e Japão, além de modelos históricos brasileiros. A intenção é preservar não apenas os veículos, mas também o modo antigo de transportar, com uniformes inspirados em épocas passadas, mobiliário original e detalhes restaurados conforme registros históricos. Um dos exemplares mais emblemáticos é o Bonde aberto 32, construído em 1911 na Escócia, considerado o elétrico mais antigo em circulação no Brasil.

Ele inaugurou a Linha Turística em 23 de setembro de 2000 e segue até hoje levando visitantes por um trajeto cultural. Outro destaque é o Bonde Pelé, recém-restaurado, que também compõe a frota.

Atualmente, a linha turística oferece um percurso pelo centro histórico, partindo da Estação do Valongo, prédio de 1867 que já foi marco da ferrovia paulista. O passeio passa por cerca de 40 pontos de interesse, com apoio de audioguias e recursos em Libras, tornando a experiência acessível. A iniciativa preserva não só o bonde como objeto histórico, mas também memórias, fachadas e histórias do coração da cidade.

A Semana Mundial do Turismo, que se estende até 27 de setembro, Dia Mundial do Turismo, conta com diversas atividades. A programação começou com debates sobre turismo inclusivo e segue até o fim da semana com destaques como a comemoração oficial do aniversário do bonde, nesta terça-feira, com tarifa reduzida em 50% e estreia do Bonde Pelé.

No mesmo dia, será lançado o aplicativo Bondes Santos RA, que permite explorar a história do transporte em realidade aumentada. Na quarta-feira (24), ocorre o lançamento do filme publicitário “Uma nova era do Turismo em Santos”, promovido pelo sindicato da hotelaria e gastronomia.

Na quinta (25), haverá reunião especial do Conselho Municipal de Turismo no Monte Serrat, com traslado funicular gratuito e apresentação do novo portal oficial do turismo da cidade. Sexta e sábado (26 e 27) serão dedicados a visitas gratuitas à Sala do Rei, no Museu Pelé.

Já no sábado, que marca o Dia Mundial do Turismo, a cidade terá uma série de atividades abertas ao público: caminhada da Zona Noroeste ao Engenho dos Erasmos pela manhã, visita à Torre do Relógio do Museu do Café e, à tarde, o walking tour “Conhecendo a Vila de Santos”, partindo do Paço Municipal em direção ao Outeiro de Santa Catarina.

O bonde não é apenas atração turística, mas parte da identidade santista. Ele remete a tempos de expansão urbana e industrial e está presente nas memórias afetivas de várias gerações. Para muitos moradores mais velhos, o bonde representava o caminho diário para a escola ou o trabalho.

Hoje, para os jovens e turistas, tornou-se um elo com o passado, símbolo de preservação e de orgulho. Mas há desafios: manter veículos centenários em circulação, garantir segurança, acessibilidade e atualização tecnológica, sem perder a essência histórica que caracteriza o projeto.