
A Feiticeira, exibida originalmente nos Estados Unidos entre 1964 e 1972, é um dos seriados mais marcantes da televisão mundial. Foram 254 episódios ao longo de oito temporadas, que acompanharam a vida de Samantha Stephens, uma jovem feiticeira que decide levar uma existência comum ao se casar com um mortal, Darrin Stephens.
A série nasceu da combinação entre comédia e fantasia, explorando de forma leve e acessível as contradições entre o desejo de Samantha de ser uma esposa comum e a insistência de Darrin, em um nível que hoje poderia até ser visto como violência psicológica, para que ela abandonasse o uso de seus poderes mágicos. Essa dinâmica garantiu ao programa enorme popularidade, tornando-o rapidamente um sucesso de audiência.
Em seu primeiro ano de exibição, alcançou o posto de segunda série mais assistida nos Estados Unidos e consolidou-se como a sitcom sobrenatural mais duradoura das décadas de 1960 e 1970.
O grande destaque do elenco foi Elizabeth Montgomery, cuja atuação como Samantha encantou o público. A atriz também deu vida à prima Serena, papel para o qual usava peruca escura e que aparecia nos créditos com o pseudônimo Pandora Spocks, o que levou muitos espectadores a acreditarem que se tratava de outra atriz.
Montgomery recebeu várias indicações ao Emmy e ao Globo de Ouro, marcando para sempre sua imagem com a personagem que realizava mágicas apenas mexendo o nariz. Após o fim da série, buscou se distanciar da personagem, dedicando-se a papéis dramáticos.
O papel de Darrin foi interpretado por dois atores diferentes, fato que se tornou uma das maiores curiosidades do seriado. Dick York viveu o personagem nas cinco primeiras temporadas, mas precisou deixar a produção em razão de problemas de saúde decorrentes de um acidente automobilístico, que o fez sofrer de dores crônicas.
Foi substituído por Dick Sargent, que assumiu o papel a partir da sexta temporada. A troca ocorreu sem explicações narrativas e, ainda assim, foi aceita pelo público, prova da força do programa. York morreu em 1992, vítima de enfisema pulmonar, enquanto Sargent faleceu em 1994 em decorrência de um câncer de próstata.
Além do casal central, outros personagens contribuíram para o sucesso da série, a começar pela mãe de Samantha, a irônica e espalhafatosa Endora, uma das preferidas dos fãs.
A vizinha Gladys Kravitz, sempre atenta aos acontecimentos sobrenaturais da casa dos Stephens, foi primeiro interpretada por Alice Pearce, que emprestava um ar delirante e divertidíssimo à personagem, morreu durante a segunda temporada e recebeu um Emmy póstumo, sendo substituída por Sandra Gould.
Outra personagem inesquecível foi a atrapalhada Tia Clara, interpretada por Marion Lorne, que também morreu durante a produção, em 1968, e recebeu um Emmy póstumo pela atuação. A filha do casal, Tabatha, tornou-se presença constante e símbolo da série, tendo sido interpretada por diferentes gêmeas em várias fases, embora Erin Murphy seja a mais lembrada pelo público.
Nos bastidores, a série reuniu diversas histórias curiosas. A famosa abertura, em desenho animado, foi criada pelo estúdio Hanna-Barbera. O nariz mexido de Samantha (que na verdade era o lábio superior) se tornou uma das marcas mais conhecidas da televisão.
A produção também dividiu cenários com Jeannie é um Gênio, considerada sua principal concorrente: a cozinha da casa dos Tate, por exemplo, era a mesma de Jeannie, e pela janela da casa de Samantha era possível ver a casa do Major Nelson. Tabatha quase foi vivida por atrizes que mais tarde se tornariam famosas, como Helen Hunt e Jodie Foster, que chegaram a concorrer ao papel quando crianças.
O seriado encerrou sua trajetória em 1972, após oito anos no ar, quando começava a mostrar sinais de desgaste. Ainda assim, deixou uma marca profunda na cultura popular. Recebeu mais de vinte indicações ao Emmy, quatro ao Globo de Ouro e consolidou-se como uma das comédias mais influentes de seu tempo. Inspirou produções posteriores, gerou derivados e ajudou a estabelecer o formato de sitcom que mistura fantasia e cotidiano, seguido por muitas outras séries nas décadas seguintes.
Depois do fim, cada integrante do elenco seguiu caminhos diferentes. Erin Murphy abandonou a carreira artística ainda jovem e dedicou-se a outras atividades, enquanto Kasey Rogers, intérprete de Louise Tate, tornou-se incentivadora do motocross feminino.
Elizabeth Montgomery permaneceu como a figura mais associada ao seriado e seguiu sendo lembrada muito além de sua morte. O resultado é que, mesmo meio século depois de sua estreia, A Feiticeira continua sendo reprisada em vários países, inclusive aqui no Brasil, e é lembrada como símbolo de uma época em que a televisão consolidava seu papel como grande vitrine cultural.


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