
O artista, educador e ativador cultural Danilo Blanco, um dos principais nomes da marchetaria contemporânea no Brasil, inaugurou sua nova exposição na Pinacoteca Benedicto Calixto, dentro da 3ª edição do Arte na Pinacoteca. Reconhecido por transitar entre arte, design e artesanato, o paulista apresenta obras que expandem e reinventam a tradição dessa técnica milenar de encaixe de materiais. A mostra pode ser visitada gratuitamente até 9 de novembro.
As peças reúnem lâminas e folhas de madeira impressas em composições que equilibram tradição e experimentação, resultando em trabalhos de forte impacto visual. “Recebi o convite e aceitei de imediato. Tenho um carinho muito especial por Santos e quis fazer o melhor possível”, conta Blanco.
A marchetaria
A trajetória do artista começou com pequenos objetos de osso e chifre bovino, que logo chamaram atenção de arquitetos e colecionadores. “Eu fazia caixinhas de osso incrustadas com madeira, até que uma cliente me disse: ‘Danilo, você sabia que está fazendo marchetaria?’ Eu nunca tinha ouvido esse termo. A partir daí comecei a pesquisar e me aprofundar”, relembra.
Blanco desenvolveu seu caminho de maneira intuitiva, explorando resíduos como pedaços de gaveta, pernas de mesa e molduras antigas. “A beleza estava em transformar aquilo em algo novo”.
Entre madeira maciça e lâminas
Sua pesquisa o levou tanto à marchetaria sólida quanto ao trabalho com lâminas de madeira, técnica que se tornou central em sua produção e em projetos sociais. Em parceria com o UNICEF, Blanco ensinou jovens da periferia de São Paulo a trabalhar com marchetaria em lâminas, um processo acessível por exigir apenas estilete, régua e prancha. “Foram três anos intensos, meu primeiro grande trabalho social. Isso ficou incorporado na minha vida. Hoje, não sei se sou mais artista ou educador social”, afirma.
Exposição
Na Pinacoteca, o público encontra desde obras geométricas em madeira natural até composições coloridas e experimentais, incluindo trabalhos feitos com caixas de fósforo e estruturas de arame criadas junto a artesãos de rua. “O processo criativo sempre me dá um frio na barriga. Eu quis trazer essa dualidade: obras mais tradicionais e outras mais alegres, que dialogam com o urbano e o social”, explica.
Educação do olhar
Mais do que transmitir mensagens explícitas, Blanco busca provocar novas percepções. “Um objeto de arte você não precisa necessariamente gostar. O importante é o impacto: olhar e pensar ‘isso é só um pedaço de madeira, e olha como ficou bonito’. O que eu busco é contribuir para a educação do olhar”.
Para ele, a arte está presente também no cotidiano. “Ninguém precisa ser artista para viver de forma criativa. Criatividade está em arrumar uma mesa de jantar ou escrever um texto com cuidado. Eu acredito que a arte contribui para que a gente viva com mais atenção e sensibilidade.


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