
Bullying, amizade e autoestima são temas extrema mente relevantes nos dias de hoje. Mas você acredita ria se eu dissesse que uma garotinha de apenas 9 anos escreveu um livro que trata desses assuntos com delicadeza e sensibilidade? Com menos de uma década de vida, Valentina Rios Paredes já conquistou algo que muitos ainda sonham: publicou seu próprio livro.
A obra, intitulada ‘O Leão que Parecia uma Flor’, foi escrita e desenhada por ela mesma — um feito raro, mesmo entre adultos. Publica da de forma independente, com o apoio fundamental da mãe, Clarissa Rios, a história já vendeu mais de 400 exemplares em plataformas como Amazon e Uiclap, encantando leitores de várias idades.
Valentina conta que a história surgiu de forma espontânea. “Primeiro eu escrevi e depois fiz os desenhos”, lembra a pequena escritora. A trama acompanha um leão que sofre bullying por parecer uma flor. Curiosamente, na época em que escreveu, Valentina nem sabia o que era bullying. “Eu nem sabia que eu fiz um livro sobre esse assunto, minha mãe explicou depois o que era”, confessa.
A narrativa é simples, mas poderosa: uma borboleta amiga tenta animar o leão, enquanto um pato cria um “clube contra ele”. No desfecho, os amigos da borboleta enfrentam o pato e devolvem ao leão sua coroa — símbolo da autoestima restaurada. “Eu gosto mais do final, porque termina bem. Eles são ami gos para sempre agora”, diz Valentina.
Apesar da pouca idade, a criatividade de Valentina já se manifestava desde antes mesmo de ela aprender a ler e escrever. “Ela fazia livrinhos com desenhos e personagens, ainda sem palavras”, lembra Clarissa. “Ela tem uma veia artística: pinta quadros, cria histórias, de senha… O livro inicialmente era para ser uma lembrança, algo para ela guardar, mas acabou tomando uma dimensão muito maior.”
O processo de publicação envolveu uma busca cuida dosa por ilustradores e editoras nas redes sociais. “Eu tirei foto de cada página, digitei tudo no computador e enviei para o ilustrador”, conta Clarissa. A menina participou ativamente das revisões, exigindo que as expressões dos personagens transmitissem exatamente o que ela queria. “Ela corrigiu várias carinhas, dizendo que as tristes não estavam tristes de verdade e que as surpresas precisavam parecer espanto.” O resultado foi um livro fiel à visão da pequena autora.
REPERCUSSÃO
A repercussão veio rápido. Valentina já apresentou o livro em eventos escolares e foi convidada para a feira de livros na Pinacoteca Benedicto Calixto. A mãe, que inicialmente hesitou em tornar o livro público, conta. “A ideia do livro era ser uma lembrança para ela. Fiz um vídeo só para nós. Uma amiga sugeriu que postássemos, e eu fiquei receosa. Mas quando postamos, tudo aconteceu”.
Uma das escolhas mais conscientes de Clarissa foi a de não deixar que Valentina tivesse celular — um diferencial importante em sua rotina. “Para escrever, tem que ler livro, gostar de estudar… e não ficar no celular”, diz a menina. Na turma, apenas ela e mais um colega resistem ao vício digital, o que, segundo a mãe, garante mais tempo para a imaginação e a criação. “As crianças hoje estão sempre com estímulos digitais e não têm mais tempo para criar. Com ela, fizemos diferente.”
Além da escrita, Valenti na também gosta de pintar e já está envolvida em novos projetos. “Já fiz a versão inteira deste livro. Agora vou fazer outra coleção”, adianta. Também está criando um diário de uma personagem chamada Lara e planeja uma série com protagonistas surpreendentes. “No se gundo vai ser uma pessoa. No terceiro, um dinossauro. No quarto, três pandas.” O entusiasmo e brilho nos olhos revelam que essa é só a primeira de muitas histórias que ainda virão.
A paixão pela leitura ali menta seu universo criativo. Fã da série ‘Diário de um Banana’, Valentina se inspira no humor e nas ilustrações para criar seus próprios mundos. E quando questionada se prefere desenhar ou escrever, a resposta é rápida. “Escrever”.
Com talento precoce, pensamento afiado e imaginação borbulhante, Valenti na mostra que nunca é cedo demais para contar boas histórias — e que toda criança, quando recebe espaço e incentivo, pode surpreender. Seu conselho, simples e poderoso, resume bem a mensagem do livro. “Tem que ser amigo de todo mundo”.
E é justamente esse olhar sensível, aliado ao apoio in condicional da mãe, que faz de Valentina uma promessa da literatura infantil e um exemplo de como incentivar a criatividade e o protagonismo das crianças.


Um grande incentivo para as crianças refletirem sobre o conteúdo do livro e por ser escrito por uma criança. Parabéns!!