
Um personagem muito conhecido pelos brasileiros e que usa o humor para discutir questões importantes. Esse é o “Sargento-Tenente-Major” Peçanha, vivido pelo ator Antônio Tabet.
Trazendo pela primeira vez a Baixada Santista o espetáculo ‘Peçanha – Protocolo de Segurança’, no dia 20 de março, o ator, comediante e mais novo membro da Fla TV (canal oficial do clube no Youtube) falou com exclusividade ao Jornal da Orla sobre o show e demais projetos para o futuro.
Essa é a primeira vez da encenação na região. Como está sendo a experiência? Teve algo que mais gostou na cidade ou que está ansioso para conhecer?
Não conheço Santos. Só estive uma vez há anos quando trabalhava na Globo fazendo uma matéria na favela do Pacheco. Será um prazer conhecer outros locais agora. Estou curioso. Ouço falar bem sempre.
Como surgiu a ideia de criar o Peçanha? Alguém influenciou na construção do personagem?
O Peçanha surgiu antes do Porta dos Fundos, no canal Anões em Chamas. É a figura do policial caricato. As influências vieram do dia-a-dia. Todo mundo já teve de lidar com alguma autoridade sem noção na vida. Pode ser PM, segurança de shopping ou até leão de chácara de balada.
Após o sucesso de Peçanha no Porta dos Fundos, o que te motivou a levar o personagem para os palcos com “Peçanha – Protocolo de Segurança”?
Havia uma demanda muito grande do público para ver o Peçanha no teatro. Muita gente pedia. Não poderia deixar de atender. O sucesso prova que eles estavam certos.
Como foi o processo de adaptação do humor característico de Peçanha para o formato teatral? Teve algum desafio ou curiosidade nessa transição?
Na verdade, a adaptação foi bastante fácil. Como ele sempre foi meio egocêntrico e sem nenhum bom senso, foi razoavelmente fácil colocá-lo para falar por mais de uma hora no teatro. Ele não tem nada de bom para passar, mas acha que é o melhor agente do mundo.
Você percebe alguma diferença na reação do público ao personagem Peçanha no teatro em relação aos vídeos?
Não. As pessoas amam de qualquer jeito. Nunca vi uma personagem tão popular e querida. É impressionante. Todos gostam, inclusive os policiais. Mesmo pessoas de diferentes espectros políticos adoram. Pessoas de esquerda veem o Peçanha como uma crítica e uma sátira, que ele é. As pessoas de direita veem ele como caricatura e homenagem, o que ele também é.
Como a experiência com o Porta dos Fundos influenciou sua abordagem na criação e interpretação de personagens como Peçanha?
O Porta nunca foi um canal de personagens. Criar e desenvolver o Peçanha foi uma iniciativa pessoal.
O Peçanha satiriza um certo tipo de policial brasileiro. Como você enxerga essa relação entre a ficção e a realidade? O público reconhece essas conexões?
Sim. Mas o Brasil é o país onde a arte mais imita a vida e vice-versa. O Peçanha é o rei dos absurdos, mas não duvido que um deles vire notícia amanhã. E é engraçado justamente por ser tão real.
O humor de Peçanha frequentemente aborda questões sociais e políticas. Como você equilibra a comédia com a crítica social?
Boa parte da comédia é uma crítica social. A forma é que precisa ter graça. Daí vem o termo “engraçado”.
Quanto do Peçanha vem do roteiro e quanto é improviso? Você costuma modificar falas e cenas durante as apresentações?
Está tudo escrito. É um monólogo, não um stand-up. Mas ele pode ter certas características do stand-up porque quebra a quarta parede do teatro e, eventualmente, precisa de improviso. Mas é muito pouco.
Como tem sido a recepção do público?
A melhor possível. Muito carinho, teatros absolutamente lotados e gargalhadas.
Qual foi a reação mais inusitada que você já recebeu de um fã sobre o personagem?
Muito assédio. Muitas mulheres, homens e até casais querem ter uma experiência com o Peçanha.
O que motivou sua saída do Porta dos Fundos? Foi um processo gradual ou sentiu que já havia cumprido seu ciclo na sociedade?
Muitas coisas. Por enquanto, só posso dizer que estou feliz e aliviado com a história que construí lá e também com minha saída.
Podemos esperar uma parceria entre você e Ian SBF em um futuro próximo? Quais são os planos?
Certamente. O Ian é um irmão para mim. Confio e acredito nele piamente como pessoa e profissional.
Quais são os planos futuros para o personagem Peçanha? Podemos esperar novas adaptações ou projetos envolvendo ele?
Certamente. Tenho mil projetos com ele. Só preciso encontrar os canais ou plataformas corretas. Filme, série, podcast… está tudo na cabeça já.
Que conselhos você daria para aqueles que estão começando no mundo do humor e desejam criar conteúdo relevante e impactante?
Desistam.
O espetáculo acontece nesta quinta-feira (20), às 21h30, no Teatro Municipal Braz Cubas (Av. Senador Pinheiro Machado, 48 – Vila Matia). Garanta o ingresso aqui.


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