Cena

Ana Botafogo realiza masterclass em celebração ao Dia da Mulher

03/03/2026 Isabela Marangoni
Divulgação

O Teatro Guarany recebe, nos dias 7 e 8 de março, um dos maiores nomes do balé clássico brasileiro. Mais do que uma aula, a passagem de Ana Botafogo por Santos propõe uma imersão sensível no tempo, na memória e na permanência da arte. Intitulado Um Encontro com a Dança que Atravessa o Tempo, o evento reúne masterclasses, roda de conversa, ação formativa e sessão de autógrafos. As inscrições estão abertas pelo site.

A iniciativa é do Instituto Di Danza Paula Guidini, escola licenciada pela rede da bailarina. Para a diretora, Paula Guidini, a vinda da artista concretiza um desejo antigo. “Quando pensamos em autoridade e referência da dança no Brasil, pensamos na Ana. Já existia essa vontade de trazê-la para Santos, para conhecer nossos alunos e fortalecer esse movimento da dança adulta, que ela também defende”, afirma.

Segundo Paula, o momento foi cuidadosamente escolhido. “Chegou a hora certa. Como escola licenciada, é uma honra e também uma grande responsabilidade”.

Celebração da dança
A proposta vai além da escola organizadora. A ideia é transformar o fim de semana em uma celebração da dança na Baixada Santista, reunindo diferentes instituições e gerações. “Estamos conversando com diretoras de outras escolas. Queremos todas juntas, prestigiando essa referência da dança”, diz Paula.

Há também um aspecto simbólico: aproximar crianças e adolescentes de uma artista que marcou a história do balé no país. “É uma forma de passar o legado para quem não teve a oportunidade de vê-la nos palcos com tanta intensidade”.

Mulheres 40+
Um dos diferenciais do encontro é a masterclass especialmente voltada para mulheres acima dos 40 anos. No sábado pela manhã, a aula será dedicada a esse público — inclusive para quem está retomando a dança ou tem pouca experiência. No domingo, a atividade será destinada a estudantes de nível intermediário e avançado, com forte presença de adolescentes.

A escolha nasce de uma experiência pessoal da diretora. “Morei muito tempo em Recife, onde já existia um movimento forte de mulheres que voltavam a dançar. Quando cheguei em Santos, não encontrei isso”.

Foi então que criou a turma 40+. “Queria um porto seguro. Muitas mulheres se sentiam deslocadas no meio das adolescentes. A gente sabe o quanto se julga demais. Era preciso um ambiente acolhedor”.

O receio, segundo ela, é comum. “Elas pensam: ‘Será que vou conseguir fazer aula com a maior bailarina do Brasil?’ Dá um frio na barriga. Se a aula fosse aberta para todos desde o início, talvez muitas não se inscrevessem”.

Para Paula, a dança adulta é também resgate afetivo. “É o reencontro com a criança interior, com momentos felizes dedicados só a elas. Uma memória que reconecta a mulher com quem ela realmente é”.

Programação
A programação se organiza em dois eixos complementares: prática e reflexão.

Pela manhã, a partir das 10h, acontecem as masterclasses com Ana Botafogo, com foco em técnica, observação e refinamento artístico. As turmas terão até 40 participantes, priorizando proximidade e atenção individual.

À tarde, no sábado, o encontro se amplia. Das 15h às 18h, ocorre a roda de conversa Vida de Mulher, reunindo profissionais de diferentes áreas para discutir identidade, autoestima, autoimagem, saúde e desenvolvimento humano.

Na sequência, a ação formativa Vida de Bailarina traz Ana em um momento mais intimista, compartilhando histórias de carreira, escolhas artísticas e reflexões sobre maturidade profissional. O dia termina com sessão de autógrafos e fotos. O teatro tem capacidade para 270 pessoas no bate-papo.

No dia 8 de março, a programação é dedicada exclusivamente à masterclass, seguida por tarde de autógrafos. Os valores variam entre R$ 149 e R$ 307.

Referência entre gerações
Referência absoluta do balé clássico no país, Ana Botafogo iniciou a carreira profissional na França e construiu trajetória histórica no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, onde foi primeira bailarina por décadas. Ao longo da carreira, apresentou-se em mais de 100 cidades brasileiras e em diversos países da América, Ásia e Europa.

Sua trajetória se confunde com a própria história da dança no Brasil e permanece na memória afetiva de gerações que aprenderam a reconhecer no balé um espaço de disciplina, beleza e sonho possível.

Prestígio e legado
Ser licenciada pela rede de Ana Botafogo é, segundo Paula, motivo de orgulho. A parceria envolve mentoria em gestão, apoio pedagógico e acompanhamento institucional. “É uma honra representar o nome dela. É a certeza de que estamos fazendo o trabalho da maneira correta”, afirma.

A expectativa resume o espírito do encontro. “Quero que quem já é da dança saia ainda mais apaixonado. E que quem não é desperte essa bailarina que existe dentro de cada mulher”.