Cena

Alegria, técnica e muita emoção nos desfiles do Carnaval santista 2026

09/02/2026 Da Redação
Henrique Teixeira/PMS

Santos acorda nesta segunda-feira ainda sob o eco dos tambores e das imagens que tomaram conta da Passarela do Samba Dráusio da Cruz na sexta e no sábado. O Grupo Especial entregou dois dias de arquibancadas cheias, desfiles vibrantes e enredos que passearam pela fé, pela memória, pela cultura popular e pela imaginação.

A União Imperial abriu os desfiles celebrando 50 anos com um enredo de forte simbologia espiritual. A Águia do Marapé apresentou A Consagração em Orixá: Renascer em União é a Chave da Vida, em um cortejo vibrante, com cores intensas e referências às religiões de matriz africana. Viviane Araújo e Sheila Mello brilharam à frente da bateria, enquanto as alas reforçaram a ideia de renascimento pela união e pela fé.

A Real Mocidade homenageou Santos e a cultura caiçara com Santos 480 Anos: Mundaréu do Povo, Cultura em Revolução. A escola passeou por símbolos da cidade, da Padroeira ao futebol, exaltando a criatividade santista em clima de festa popular.

A Vila Mathias transformou a passarela em uma verdadeira celebração de ancestralidade ao contar a história de Pai Felipe, o Rei Batuqueiro. O enredo destacou resistência, quilombo e legado para o samba, levando para a avenida uma narrativa de luta contra a escravidão e de afirmação cultural marcada por cores fortes e presença simbólica da coroa africana.

A Independência encerrou a primeira noite com fantasia e encanto. No Reino das Fábulas… Era uma vez, o Encanto conduziu o público a uma viagem com personagens clássicos e histórias que carregaram lições universais, embaladas por um samba envolvente e um desfile cheio de alegria e imaginação.

No sábado, a Mocidade Independente de Padre Paulo emocionou ao homenagear Alex Tadeu Alves Rosa em Guerreiro Menino e a Jornada ao Eldorado Social. O desfile ressaltou esporte, cultura e educação como caminhos de transformação, apresentando uma mensagem de esperança e inclusão para jovens das comunidades.

A Mocidade Amazonense apostou no ritual e no imaginário com Enawenê Amazonawê – O Feitiço Amazonense Tem Poder. A narrativa atravessou mitos, curandeiros, amuletos e contos encantados, reunindo magia e fantasia até desembocar no feitiço maior: o próprio Carnaval como encantamento coletivo.

A X-9 Pioneira, atual campeã, trouxe reflexão ambiental com Eu vim aqui para te mostrar que o mar está em todo lugar!. O desfile apresentou o oceano como fonte de vida e memória, com alegorias sobre sustentabilidade e beleza marinha, mostrando que a conscientização também pode ganhar forma na avenida, mesmo sob chuva.

A Unidos dos Morros fechou a festa com irreverência e brasilidade em O Bicho Nosso de Cada Dia – Um Jeitinho Brasileiro de Sonhar. Com humor e criatividade, a escola transformou o jogo do bicho em narrativa popular, atravessando fé, sonho e cotidiano, encerrando o Carnaval em tom vibrante e bem-humorado.

O prefeito Rogério Santos destacou o Carnaval como parte essencial da identidade da cidade, lembrando que a história santista se confunde com as raízes do batuque e das escolas pioneiras. A vice-prefeita Audrey Kleys reforçou o caráter coletivo da festa, construída para reconhecer tradições e personagens fundamentais da cultura local.

O secretário de Cultura Rafael Leal também celebrou o crescimento do espetáculo e o trabalho das comunidades ao longo de meses de preparação. E o deputado Paulo Alexandre Barbosa resumiu o sentimento da avenida ao afirmar que a energia do Carnaval é incomparável, lembrando que o que se vê em dois dias de desfile representa um ano inteiro de trabalho, dedicação e paixão.

A apuração do Carnaval santista acontece amanhã, a partir do meio-dia, no Teatro Municipal de Santos.