Cena

A vida do esportista Negrelli vai virar exposição em Santos

05/04/2026 Eduardo Silva
Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC

Mostra vai relembrar títulos, ídolos e amigos do grande jogador do vôlei brasileiro

A arte do craque do vôlei vai ser apresentada de forma artística na ExpoNegrelli, que vai ser aberta na próxima quinta-feira, dia 9 de abril, às 18h15, no Teatro Guarany, em Santos. Vai ser um momento especial para familiares, amigos, fãs, parceiros de quadra, de trabalho e academia que conviveram com José Oswaldo da Fonseca Marcelino, o Negrelli.

A noite vai contar com um convidado ilustre, José Roberto Guimarães, único técnico tricampeão olímpico, o mais vitorioso dos esportes coletivos no mundo, que vem relembrar a trajetória do amigo e falar da importância do vôlei santista para o Brasil. Depois da abertura, a exposição vai ser montada no saguão da Prefeitura de Santos e, posteriormente, no Shopping Praiamar.

A exposição reúne fotos históricas, do rico acervo do Jornal A Tribuna, além de recordações da família e dos companheiros de time, como camisas, faixas e medalhas de campeão pelo Santos e Seleção Brasileira. A carreira de Negrelli foi vencedora. Duas vezes tricampeão paulista, campeão brasileiro e sul-americano, além de vitórias inesquecíveis em Jogos Regionais e Abertos e torneios espalhados pelo País e pelo mundo afora.

O garoto que começou a jogar basquete com os inseparáveis amigos Arlindo Pedro Junior e Geraldinho Nakasato relutou em trocar de esporte quando o famoso técnico Roberto Douglas Machado montou a primeira escolinha de vôlei no Santos. Arlindo relembra bem.

“No primeiro treino, ele não foi escolhido para o jogo inicial entre os garotos. Ele foi embora e falou: “Eu não quero saber desse jogo”. Para sorte do vôlei santista e brasileiro, Arlindo e Geraldinho “fizeram a cabeça do amigo” para voltar. Daí para frente, todo mundo que gosta de esporte já ouviu uma passagem deste atleta competente e muito versátil. Geraldinho fez uma revelação que reforça o carinho entre os amigos.

“Meus pais não iam ver os jogos, então o Negrelli era a minha referência. Eu tinha que acatar o que ele me falava. A vida inteira estivemos sempre juntos. Eu, ele e Arlindo”.

Além de jogar basquete e vôlei, Negrelli também foi campeão paulista escolar de salto em altura pelo Colégio Liceu São Paulo. O jovem que se destacava no vôlei cresceu ouvindo histórias de lendas como Oscarzinho, Roberto Menna, Janca e Ribeirão. Quando foi jogar no Santos, viu de perto craques como Netuzzi, Guerato, Pona, Victor Barcellos, Feitoza, o capitão Paulo Russo e o maior ídolo dele, Pedrão, melhor jogador brasileiro na conquista do ouro nos Jogos Pan-americanos de 1963, em São Paulo.

Na Seleção Brasileira desde 1971, fez amizade e uma parceria de sucesso com Antonio Carlos Moreno, que foi capitão nas Olimpíadas de 1976 (Montreal) e 1980 (Moscou). Pelo Brasil, foi tricampeão sul-americano e vice pan-americano, em 1975, no México. Reverenciado em Santos, ele é muito admirado por vários jogadores de Seleção, como o próprio Moreno, William (capitão da Seleção na geração de Prata, em Los Angeles, 1984) e Zé Roberto Guimarães, que sempre destacou as qualidades de Negrelli.

Foto: Arquivo Pessoal

Além dos fãs famosos, ele também é adorado pelos alunos de colégios e faculdades onde deu aulas, pelos companheiros da época em que foi Secretário de Esportes de Santos e Presidente da Fundação Pró-esporte ou pelos frequentadores das academias que montou em Santos. Como gestor, também incentivou políticas esportivas públicas.

Essa exposição faz justiça a um esportista que ultrapassou os limites dos ginásios onde brilhou. É uma reverência a um ser humano especial que sempre foi um líder por onde passou, mas jamais perdeu a humildade. Com um carisma incrível, Negrelli vai ser eternizado com lembranças inesquecíveis.