
O Festival Santista de Teatro (FESTA), considerado o mais antigo em atividade no Brasil, realiza sua 67ª edição entre os dias 1 a 7 de setembro, com mais de 30 atrações gratuitas ocupando teatros e espaços públicos de Santos. A programação combina tradição, pesquisa e contemporaneidade, reafirmando o festival como patrimônio cultural imaterial da cidade.
A abertura acontece hoje (1), às 20 horas, no Teatro Municipal Brás Cubas, na Vila Mathias, com o espetáculo convidado Macuco, do dramaturgo Vítor Nóvoa, dirigido e cenografado por Luiz Fernando Marques (Lubi). Os ingressos podem ser retirados com uma hora de antecedência na bilheteria do teatro. A montagem é protagonizada por Edgar Castro e Jackson França, com participação especial em vídeo da atriz Cleide Queiroz.
Homenagens
A edição de 2025 presta homenagem a nomes marcantes da cena teatral. Entre eles, a crítica Carmelinda Guimarães, que acompanhou o festival por muitos anos como jurada, apoiadora e formadora de gerações. “Ela exerceu com generosidade a profissão de compartilhar a experiência do teatro”, ressalta o organizador Junior Brassalotti.
Outro destaque é Plínio Marcos, que completaria 90 anos em 2025. Considerado um dos maiores dramaturgos brasileiros, ele será lembrado com cinco trabalhos inéditos inspirados em sua obra. “Plínio deu voz a personagens marginalizados, transformando-os em protagonistas. É impressionante perceber como sua dramaturgia continua atual. Como ele mesmo dizia, infelizmente sua obra não envelheceu porque o Brasil segue sendo um país profundamente desigual”.
A homenagem inclui a Ação Plínio Marcos Baixada Santista, reunindo intervenções, leituras dramáticas, performances e outras ações culturais inspiradas em suas obras ou nos temas por ele abordados, revisitados pelo olhar dos artistas locais.
Mostras
Na Mostra Estadual, serão apresentadas montagens como Okama (Cia. 2 Miados, SP), Labirinthos (Cia Teatral Energós, SP), O Legítimo Pai da Bomba Atômica (Coletivo Oriente-se, SP), Corpo História (Companhia OBS, SP), O Varal (Cia Navega Jangada, SP) e A Luta (Cia. Madeirite Rosa, SP).
A Mostra Regional traz 50± O Game da Memória (Grupo Tescom, Santos), Onde Está o Guará? (Coletivo 302, Cubatão), Giz (Cia. Teatro em Brasa), Benjamin – O Filho da Felicidade (Cia. Trilha de Teatro, Santos) e Vozes Veladas (Coletivo (A)gente, Santos).
A Ação Plínio Marcos contará com intervenções especiais, como Noticiário Brasileiro (Lípari), Máquinas, Dores e Amores (Cia. Nós De Dois), Longa Balada Noite (A) Dentro de Um Palhaço (O Coletivo), Conto Histórias Seres Invisíveis (Em Bando Coletivo) e As Damas de Plínio (Coletivo Eríneas).
A curadoria do festival reflete tanto a produção local quanto estadual. “Festivais são momentos de encontro e troca. Nosso cuidado é construir uma narrativa que reflita os debates do presente. Ancestralidade, censura, luta de classes: esses são temas que os grupos estão trazendo para cena hoje”, afirma.
Democratizar o acesso é outro pilar da programação. Parte dos espetáculos ocorre em ruas e praças, aproximando o teatro de públicos que não conseguem se deslocar até os centros culturais.
Atividades paralelas
O FESTA inclui atividades paralelas e ações formativas abertas ao público. No dia 2 de setembro, o Teatro Guarany recebe, às 15 horas, a montagem infantil Lara e O Pássaro, do Grupo Alvorada Cultural, seguida, às 19h30, de bate-papo com o ator Kiko Barros, filho de Plínio Marcos, que continua divulgando a obra do pai por meio de espetáculos, palestras e o Tour Plínio Marcos.
Também no dia 2, o grupo Baixada Hip-Hop apresenta um espetáculo de dança às 20 horas no Teatro Municipal Brás Cubas, celebrando a potência do corpo em movimento, a expressão coletiva e a força da arte como ferramenta de transformação social.
No dia 4 de setembro, quinta-feira, às 19 horas, o espetáculo de teatro-dança Fome e Caos – Experiência Afro-Butoh, resultado da parceria entre a Cia. Corpus Cênicos e o grupo Teatro em Brasa, será apresentado no Teatro de Arena Rosinha Mastrângelo.
Oficinas
O festival também promove oficinas e bate-papos voltados especialmente para jovens artistas, oferecendo ferramentas de dramaturgia e produção. No dia 5 de setembro, às 14 horas, Vitor Biazzin ministra a oficina A Narratividade e a Cena: Tópicos em Teatro Épico no Teatro do SESI. No mesmo dia e horário, o grupo Oriente-se conduz a oficina Produção Cultural e Eventos: Tirando Uma Ideia da Cabeça e Colocando no Papel no Teatro Guarany, abordando planejamento e gestão de projetos culturais.
No dia 6 de setembro, às 10 horas, a companhia 2 Miados promove a oficina Memória e Fabulação, unindo artes cênicas e performance para criação de projetos autorais sobre memória, no Teatro de Arena Rosinha Mastrângelo. Ainda no dia 6, às 23 horas, a Praça dos Andradas recebe a festa Augusttinho Vive, com apresentações do grupo House of DDD, MC Júlio Mad, DJs Pedro Gegê e Kicky Jhonny, artista Carla Riesco, além de intervenções audiovisuais do grupo Oitava Parede e ações do coletivo Donnas da Rua.
O encerramento acontece no domingo (7), às 20 horas, na Vila do Teatro, com show da Banda Balanzê e apresentação do DJ Sative.
Para mais informações, acesse o site.


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