
O principal problema do Brasil atualmente é uma quantidade significativa de pessoas que falam e tomam decisões baseadas naquilo que elas imaginam que seja, ou gostariam que fosse, a realidade. Após praticamente um ano de pandemia, é possível cravar certezas baseadas em fatos e, principalmente, no conhecimento científico.
KIT-COVID NÃO FUNCIONA
O chamado “tratamento precoce”, com o uso de uma combinação de medicamentos como hidroxicloroquina e ivermectina, não cura a Covid-19. Para combater esta doença, eles têm a mesma eficácia que tomar chá de boldo, rezar um pai-nosso ou não fazer nada. Várias pessoas que foram submetidas ao tal “tratamento precoce” morreram vítimas da doença, entre elas o médico Guido Céspedes, o criador do “Kit Covid”.
Na quinta-feira (4), a sede mundial da farmacêutica Marck divulgou um comunicado em que alerta que a Ivermectina, medicamento que produz, não é eficaz contra a Covid-19. Em resumo: a maior interessada em vender o remédio não o indica.

Farmacêutica poderia lucrar bilhões com venda de medicamento, mas preferiu alertar para ineficácia
VACINAS SEGURAS E EFICIENTES
As vacinas, todas elas, são seguras e eficazes. Segundo o Ministério da Saúde, de 2,4 milhões de brasileiros vacinados até 2 de fevereiro, apenas 1038 (ou seja, 0,042%) apresentaram algum tipo de reação às vacinas. Nenhuma grave. Os sintomas mais comuns foram dor de cabeça, febre, dor muscular, diarreia e náusea.
As vacinas evitam que que a pessoa seja infectada ou, mesmo que isso aconteça, impede que ela desenvolva um quadro grave da doença. Pode até ser contaminada, mas não o suficiente para precisar ser internada. Os riscos de desenvolver um quadro grave e, por exemplo, precisar ser internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) caem drasticamente e a possibilidade de morrer fica menor ainda.
Em Israel, por exemplo, das 750 mil pessoas com mais de 60 anos vacinas, apenas 531 (0,07%) foram contaminadas pelo novo coronavírus e, ainda assim, apresentaram apenas sintomas leves.
Além disso, vacinar um grande contingente da população reduz drasticamente o avanço da doença. Como não contraem o vírus, as pessoas impedem a disseminação da doença. Dependendo da vacina, isso começa a ocorrer logo com a aplicação da primeira dose; em outras, após a segunda.
VELOCIDADE DA IMUNIZAÇÃO
3. O Brasil tem capacidade de vacinar rapidamente sua população. O país tem cerca de 37 mil salas de vacinação, profissionais qualificados e experiência logística para fazer as doses chegarem ao braço do paciente em no máximo 36 horas. Isso graças ao Programa Nacional de Imunização, criado em 1975. Antes da pandemia, ele já oferecia gratuitamente 300 milhões de doses de vacinas contra 30 doenças (15 para crianças, 9 para adolescentes e 5 para adultos e idosos).
Uma prova da eficiência da esquema vacinal brasileiro foi a campanha realizada em 2010, quando 82 milhões de pessoas foram imunizadas contra a gripe Influenza em apenas três meses (quase um milhão por dia).
Desde 17 de janeiro, quando a enfermeira Monica Calazas recebeu a primeira dose de Coronavac, até sexta-feira (5), foram vacinados 3.179.232 brasileiros (cerca de 1,4% da população).
O índice é muito baixo, se comparado ao de outros países (Israel vacinou 38,9%; Reino Unido, 15,4%; Estados Unidos, 8,3%). Mas a boa notícia é a velocidade da imunização no Brasil é maior do que a de outros países. O Brasil imunizou mais pessoas do que países que começaram a vacinação antes, como Canadá, México, Chile, Argentina e França.
Só não foram imunizados mais brasileiros porque não há mais doses. Segundo o site Our World in Data, o Brasil vacina 0,1% de sua população por dia. Neste ritmo, seriam necessários mais de três anos para imunizar todos os habitantes.
QUANTIDADE DE DOSES
Até o momento, o Brasil tem cerca de 12 milhões de doses de vacina (Coronavac e AstraZeneca). Não possui mais porque no ano passado o governo federal recusou uma série de ofertas de fabricantes de vacina. A Pfizer fez três propostas, a primeira em 15 de agosto de 2020, para o fornecimento de 70 milhões de doses. O Instituto Butantan fez outras três propostas, a primeira em 30 de julho, para entregar 60 milhões de doses.

Laboratórios ofereceram vacinas mas Ministério da Saúde nem deu resposta
O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, nunca respondeu nenhuma das ofertas. Naquela ocasião, chegou a dizer que a ministério compraria vacinas “se houver demanda”.
O Brasil integra o consórcio internacional Covax/Facility, para a aquisição de doses da AstraZeneca/Oxford. Em setembro, o governo federal optou por comprar 42,5 milhões de doses, quando teria direito a adquirir cinco vezes mais. As primeiras 1,6 milhão de vacinas devem chegar no mês que vem. O laboratório vai priorizar a entrega para países que confirmaram a compra antes do Brasil.
Em manifestações recentes, Pazuello tem afirmado que estão garantidas as aquisições de 354 milhões de doses e está em negociação com outros laboratórios — Gamaleya (Rússia), Janssen, Pfizer e ModeRNA (EUA) e Barat Biotech (Índia). A dúvida é quando as vacinas serão entregues e aplicadas nos brasileiros.
De cada dez vacinas no Brasil, nove são do Butantan
gou mais 1,1 milhão de doses de Coronavac ao Ministério da Saúde. No total, a entidade paulista forneceu 9,8 milhões de vacinas ao governo brasileiro.
Aumentamos ainda mais a participação da vacina do Butantan no Programa Nacional de Imunizações. Ainda sem este lote, nove a cada dez vacinas contra a COVID-19 que são aplicadas no Brasil são vacinas de São Paulo, do Instituto Butantan, para ajudar a salvar milhões de brasileiros”, disse o governador João Doria.
Na quarta-feira (3) O Butantan recebeu 5,4 mil litros do (Insumo Farmacêutico Ativo), suficientes para a produção de 8,6 milhões de doses. Na próxima semana, chegarão mais mais 5,6 mil litros, que permitirão produzir mais 8,7 milhões de doses. As vacinas serão entregues ao Ministério da Saúde a partir do dia 23.



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