
A pesquisa de novos medicamentos tem seguido diversas vertentes, como novos tipos de medicamentos. Mas uma linha bastante promissora e inovadora é a do teste farmacogenético, o qual analisa como o organismo de cada indivíduo irá responder aos medicamentos, baseando no estudo do DNA de cada um.
Como se sabe, todo medicamento será processado por enzimas que visam sua eliminação. O organismo metaboliza o medicamento reconhecendo-o como elemento estranho e procurando eliminá-lo. Essa metabolização é feita, principalmente, por enzimas presentes no fígado, as quais são produzidas por informações contidas no DNA.
Nem todas as pessoas produzem enzimas com a mesma efetividade, assim em alguns indivíduos os medicamentos poderão permanecer por mais tempo, produzindo mais reações adversas. Com os testes e com os estudos sobre seus resultados, será possível, por exemplo, fazer um ajuste individual das doses. Atualmente, a dose “padrão” é definida como sendo aquela que traz o benefício para a maioria das pessoas, não para todas.
Os indivíduos podem estar fora dessa curva padrão pelos dois lados. As enzimas podem ser pouco ativas e, portanto, aumentando a concentração no organismo e, consequentemente, as reações adversas ou, ao contrário, muito ativas diminuindo o resultado esperado do medicamento. Já existem estudos consistentes sobre a modulação da dose de analgésicos opioides, como a morfina, a partir dos testes farmacogenéticos.
Também é possível prever a presença maior ou menor de enzimas que atuam sobre medicamentos antidepressivos, porém ainda não é possível reverter esse conhecimento para a prática clínica. Porém, acredita-se que essa linha de pesquisa poderá melhorar a farmacoterapia da depressão, mas sempre lembrando que os transtornos psíquicos necessitam de abordagem multiprofissional e do suporte familiar para seu melhor controle. A efetividade medicamentosa no controle do fim do tabagismo também está vinculada a uma especificidade genética. São muitas linhas abertas a serem exploradas.
A farmacogenética também melhorado a terapia de alguns tipos de câncer. Existem estudos sólidos que permitem uma melhor estratégia medicamentosa para o câncer de mama, por exemplo. E do mesmo modo estudos com câncer colorretal têm melhorado a eficácia do tratamento. Mas ainda há muito a progredir. Nos EUA, existem pouco mais de 120 fármacos que contem informação farmacogenética em seus registros. É muito pouco.
Se ainda tiver dúvidas, encaminhe sua dúvida para o Centro de Informações sobre Medicamentos (CIM) do curso de Farmácia da Unisantos. O contato pode ser pelo e-mail [email protected] ou por carta endereçada ao CIM, avenida Conselheiro Nébias, 300, 11015-002.
Prof. Dr Paulo Angelo Lorandi, farmacêutico pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas-USP (1981), especialista em Homeopatia pelo IHFL (1983) e em Saúde Coletiva pela Unisantos (1997), mestre (1997) e doutor (2002) em Educação (Currículo) pela PUCSP. Professor titular da UniSantos. Sócio proprietário da Farmácia Homeopática Dracena



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