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O perigo da islamofobia

21/11/2015 Da Redação
O perigo da islamofobia | Jornal da Orla
A declaração é do presidente da Sociedade Beneficente Islâmica do Litoral Paulista, Salah Mohamad Ali. Mas define o sentimento dos mais de 1 bilhão de muçulmanos espalhados pelo mundo. Comovidos com os atentados ocorridos em Paris (França), na sexta-feira (13), em que mais de 129 pessoas morreram em ataques causados por jihadistas do chamado “Estado Islâmico”, os seguidores de Alá se asseguram em duas certezas: terroristas não podem ser chamados de islâmicos e a islamofobia tem que acabar.

“Islã significa paz. A comunidade muçulmana na Baixada Santista e no mundo está triste, apreensiva e indignada com os ataques criminosos e covardes contra a população francesa. Os fundamentos desse grupo, que sequestrou o nome ‘Estado Islâmico’ – tão importante para nós-, que mata muitas pessoas sem julgamento, pratica atos de terrorismo e trabalha em causa própria, não têm nada a ver com o Islamismo. Não existe islâmico radical ou moderado. A religião muçulmana prega a paz, a convivência pacífica e respeita as outras crenças. Quem não segue os pilares do Alcorão Sagrado e trabalha pela morte e não pela vida, não pode ser considerado muçulmano”, dispara o presidente.

Mohamad Ali sustenta que o livro sagrado dos muçulmanos condena mortes de civis e faz menção ao amor ao próximo. “No Islã é proibido abrir uma guerra contra qualquer nação sem que você seja atacado. Além disso, no Alcorão Sagrado há dezenas de versículos que falam da bondade e do respeito com as mulheres, com família e os pobres. Há, por exemplo, orientação do pagamento de 2,5% do lucro líquido dos muçulmanos para cuidar de oito categorias: pobres, endividados, pessoas que se perderam e não têm como voltar para a sua terra, entre outros. Em tudo isto está o pensamento da religião islâmica”. 

No domingo (15), durante um congresso promovido pela Mesquita de Santos, que reuniu mais de 300 fiéis, houve oração pelas vítimas que o grupo terrorista tem feito ao redor do mundo, especialmente, os mortos durante os ataques na França.

 
Em nome do dinheiro
Para Ali, o países ocidentais têm que encontrar uma solução justa para as guerras no Oriente Médio. “O Ocidente tem sua parte de culpa na situação dos refugiados. Infelizmente, querem destruir nossos países islâmicos, como fizeram na Líbia e no Iraque, para depois chamar as empresas deles para reconstruir esses países. A Rússia enviou vários aviões em ataque à Síria para ajudar um governo sanguinário a ficar no poder. É tudo em nome do dinheiro e da influência! Por isso que esse grupo (jihadista) está conseguindo recrutar tantas pessoas. Eles estão vendendo, no câmbio negro, o petróleo dos locais onde dominam. Todo mundo sabe para quem está sendo vendido e de onde vem o armamento para esse grupo”, aponta o muçulmano.
 
Islamofobia
No Brasil vivem dois milhões de muçulmanos (descendentes e estrangeiros), sendo que a maior comunidade vive em São Paulo. Na Baixada Santista, eles são 20 mil, vindos, principalmente, do Líbano. Apesar de viverem há anos no país, ainda sofrem preconceito por conta da falta de informação e conhecimento sobre o Islamismo. 

Longe de ser exclusividade brasileira, a islamofobia dificulta a liberdade de culto e a convivência pacífica de oriundos do Oriente Médio ao redor do planeta. “O Ocidente tem dois pesos e duas medidas. Um criminoso americano pode ser considerado como um doente mental. Já criminoso, que tem sobrenome muçulmano, quando comete um crime, é chamado de terrorista. Essas pessoas que fizeram os ataques na França são francesas, mas as tratam como terroristas de origem islâmica. Isto incentiva o ódio”. 

Mohamad Ali lamenta a decisão de fechar mesquitas e limitar a entrada de refugiados no país por parte do governo francês. “A gente pede para as pessoas olharem para os muçulmanos com bom olhar e para que seja respeitada a liberdade religiosa. Todos somos irmãos e temos o mesmo Deus”.