
A primeira parcela do 13º salário chega hoje (28) às contas dos trabalhadores brasileiros. O prazo legal de 30 de novembro coincide com um domingo, o que obriga as empresas a anteciparem o depósito para o último dia útil da semana. O benefício representa um alívio no bolso e uma oportunidade para reorganizar as finanças, realizar aquela compra planejada ou até mesmo reduzir dívidas acumuladas ao longo do ano.
Na Baixada Santista, assim como no resto do país, o 13º salário o recurso extra movimenta o comércio local e aquece a economia da região em um dos períodos mais importantes do ano. Entre Black Friday e Natal, o dinheiro circula nas lojas, nos serviços e nas mãos de quem espera ansiosamente por esse reforço no orçamento familiar.
“Para muitos trabalhadores, o dinheiro permite realizar compras mais planejadas, especialmente de presentes ou itens duráveis. Do ponto de vista do comércio, é uma alavanca para fechar o ano com vendas mais robustas e reforçar o faturamento em um momento decisivo”, afirma o presidente do Sindicato do Comércio Varejista da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sincomércio), Omar Abdul Assaf.
Do ponto de vista macroeconômico, o 13º injeta bilhões na economia em um curto espaço de tempo, fortalecendo setores como comércio, serviços e crédito, segundo o economista Luciano Simões.
“Já do ponto de vista financeiro das famílias, ele funciona como um reforço de caixa importante. Permite reorganizar as contas, reduzir endividamento, equilibrar o orçamento do início de ano — quando chegam IPVA, IPTU, matrícula escolar — e, em muitos casos, possibilita realizar compras planejadas ou investir. Portanto, ele cumpre um papel social e econômico simultâneo: aumenta o consumo saudável e contribui para o reequilíbrio financeiro das famílias”, explica o economista.
PREOCUPAÇÃO
De acordo com Omar, o endividamento das famílias pode reduzir o efeito do 13º no varejo. “É uma preocupação legítima. Parte dos consumidores pode sim destinar esse recurso para pagar débitos acumulados ou evitar juros altos. Mas por outro lado, para comerciantes, mesmo esse fluxo pode representar um alívio no orçamento geral, já que parte da renda extra gira na economia — e não necessariamente fica parada na inadimplência”, ressalta.
Segundo o economista, diversas pesquisas recentes mostram que o uso prioritário do 13º salário ainda é a quitação de dívidas, especialmente no cartão de crédito e no cheque especial, que possuem juros elevados. Uma fatia significativa também vai para compras de fim de ano e compromissos sazonais, como viagens, presentes e confraternizações.
“Para quem está endividado, minha recomendação é clara: priorizar a quitação ou renegociação das dívidas mais caras, principalmente cartão de crédito e cheque especial”, enfatiza Luciano.
Simões ainda recomenda reservar ao menos 10% ou 15% do valor para a montagem ou reforço da reserva de emergência. Uma reserva robusta evita que a família volte ao endividamento no ano seguinte.
ORIENTAÇÃO
Omar Abdul Assaf orienta os consumidores da Baixada Santista e do Vale do Ribeira a usarem o 13º com consciência. “Aproveitem para planejar compras, buscar ofertas reais e equilibrar entre presentear e reservar parte para quitar compromissos financeiros”, afirma.
Para os lojistas, o presidente do Sincomércio recomenda preparar estratégias bem alinhadas. “Invistam em ofertas relevantes, em campanhas que aproveitem esse momento de renda adicional, mas também em atendimento de qualidade e fidelização”, diz Assaf.


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