Cena

Carolina Ferraz, velhice e a cultura da ofensa gratuita nas redes sociais

17/06/2026 Gustavo Klein
Reprodução/Redes Sociais

As redes sociais nasceram com a promessa de aproximar pessoas. Em muitos casos, cumprem esse papel. Aproximam famílias, amigos e até desconhecidos em torno de interesses comuns. Mas também abriram espaço para um comportamento difícil de entender: o prazer de ofender.

A notícia de que Carolina Ferraz respondeu a comentários sobre sua idade chama atenção por um detalhe. Ninguém foi obrigado a seguir a atriz, acompanhar suas fotos ou assistir a seus vídeos. Ainda assim, algumas pessoas decidiram gastar alguns minutos do próprio dia para escrever mensagens capazes de constranger alguém. Não para debater ideias, mas para atacar características pessoais.

É difícil acreditar que isso aconteça por acaso.

Existe uma diferença enorme entre crítica e agressão. A crítica faz parte da convivência humana e até ajuda no crescimento. A agressão gratuita tem outro objetivo: causar desconforto. É a tentativa de fazer com que o outro se sinta menos bonito, menos inteligente, menos feliz ou menos digno.

Psicólogos explicam que esse comportamento pode estar relacionado a fatores como baixa autoestima, necessidade de atenção, frustração e até a sensação de anonimato proporcionada pela internet. Atrás de uma tela, muita gente perde freios que dificilmente abandonaria em uma conversa presencial.

Mas reduzir tudo a uma doença seria simplificar demais a questão. A maioria dessas pessoas sabe exatamente o que está fazendo. Elas entendem que uma frase pode machucar e, ainda assim, escolhem escrevê-la. Existe, portanto, um componente de responsabilidade individual que não pode ser ignorado.

Talvez a grande doença do nosso tempo não seja apenas a crueldade digital, mas a incapacidade de conviver com a felicidade, a aparência ou as escolhas dos outros sem transformá-las em alvo. Em um mundo tão conectado, a empatia ainda parece ser a tecnologia mais difícil de desenvolver.

E talvez a pergunta mais importante seja outra: o que leva alguém a acordar, pegar o celular e decidir que a primeira contribuição do dia será tentar entristecer ou colocar para baixo um desconhecido? A resposta diz muito menos sobre a vítima do que sobre quem escolheu apertar o botão de enviar.