
Sete décadas dedicadas à preservação da memória literária e cultural de Santos serão celebradas pela Academia Santista de Letras (ASL) ao longo de junho. A instituição preparou uma programação especial que reúne literatura, música, homenagens e ações de valorização da história local, em parceria com a 19ª Semana Martins Fontes, evento que integra o calendário oficial da cidade.
Fundada em 23 de junho de 1955 — data que coincide com o aniversário do poeta santista Martins Fontes —, a Academia se consolidou como uma das mais importantes guardiãs da produção literária e da identidade cultural da cidade.
Para a presidente da ASL, Tais Curi, o aniversário simboliza mais do que a passagem do tempo. “Chegamos aos 70 anos com a capacidade de transformar o tempo em memória viva. A celebração nos permite recordar fatos, revisitar nomes que construíram a história da instituição e reconhecer que a academia é uma obra coletiva, edificada por homens e mulheres que compreenderam que a literatura não é apenas um ornamento da inteligência, mas uma forma de permanência”, afirma.
Programação cultural
As comemorações seguem durante todo o mês com eventos literários, apresentações artísticas e homenagens.
Hoje (17), às 19h, acontece a abertura da 19ª Semana Martins Fontes, no Instituto Histórico e Geográfico de Santos. A programação inclui um sarau literário e a inauguração de uma exposição dedicada à vida e à obra do poeta.
O ponto alto das celebrações acontece na quinta-feira (18), às 19h30, no Salão Camoniano do Centro Cultural Português, durante a solenidade oficial pelos 70 anos da Academia Santista de Letras. Na ocasião será lançado o livro Academia Santista de Letras – 70 Anos, escrito pelas acadêmicas Ana Maria Sachetto, Katya Patella Couto e Regina Alonso.
A publicação resgata a trajetória da instituição, contextualizando o cenário cultural santista dos anos 1950, a criação da Academia, a atuação de seus fundadores e patronos, além de apresentar os atuais ocupantes das 40 cadeiras acadêmicas. “O livro mostra como a academia atravessou essas sete décadas e quem são os acadêmicos que hoje dão continuidade a esse trabalho. É um registro importante da nossa história literária”, destaca. A noite vai contar ainda com apresentação do Quarteto de Cordas Martins Fontes.
Os exemplares serão destinados a bibliotecas, academias de letras e centros de documentação, ampliando o acesso ao conteúdo e contribuindo para a preservação da memória cultural. “O livro não será vendido. Ele será encaminhado às instituições literárias e culturais para que a história da academia permaneça acessível às futuras gerações”, explica.
A programação prossegue no domingo (21), às 10h, com uma tertúlia poética junto ao busto de Martins Fontes, nos jardins da orla da praia, próximo ao Canal 2. No dia 22, às 19h, a Câmara Municipal de Santos prestará homenagem à instituição em sessão solene.
O encerramento acontece em 23 de junho, data de fundação da Academia, às 19h, no Consistório da Unisanta. Na ocasião, será entregue a Láurea Martins Fontes a alunos, professores e escolas participantes de projetos de incentivo à leitura e à produção literária.
O evento também vai contar com a distribuição do livro As Letrinhas que Sonham, de Marcos Franco, além de uma homenagem à presidente de honra da instituição, Maria Araújo Barros de Sá e Silva. “Toda a programação é aberta ao público. Queremos que a comunidade participe e faça parte dessa celebração”, ressalta.
Formação de leitores
A Academia mantém projetos voltados à formação de leitores e ao incentivo à criação literária, ampliando sua atuação em escolas e iniciativas educacionais, aproximando a literatura das novas gerações. “A literatura floresce quando encontra leitores, ouvintes e novos autores. Por isso, desenvolvemos projetos com estudantes, estimulando a criação literária e despertando o interesse pela leitura e pela escrita”.
Ela destaca que a receptividade dos jovens tem sido positiva e reforça a necessidade de renovação contínua do público leitor. “Precisamos atrair quem está chegando, incentivar novos leitores, escritores e poetas desde cedo, para que cresçam nesse ambiente e deem continuidade a essa tradição”.
Portas abertas
Tais aponta a aproximação com a comunidade como uma das principais missões da Academia. “Um dos nossos maiores desafios foi aproximar cada vez mais a academia do público. Ainda existe a percepção de que uma academia de letras é um espaço elitista, mas não é. Nosso papel é estar na rua, junto da comunidade”.


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