
Criada para valorizar obras dirigidas por pessoas negras, a Mostra Afrocena realiza sua primeira edição em Santos reunindo produções de cineastas de diferentes regiões do país e promovendo atividades formativas e reflexivas sobre o cinema negro brasileiro. O projeto acontece nos dias 14 e 15 de março, com programação gratuita que inclui oficina, exibição de filmes e bate-papo com realizadores.
Produzida pela Ácida Filmes — produtora independente formada por mulheres e pessoas LGBTQIAPN+ — e idealizada pela cineasta santista Petyta Reis, a mostra busca ampliar os espaços de circulação, visibilidade e debate sobre o audiovisual negro contemporâneo. A iniciativa reúne produções independentes que abordam diferentes narrativas, estéticas e experiências da população negra no Brasil.
Programação e atividades
A programação começa no dia 14 de março, no Museu da Imagem e do Som de Santos (MISS), a partir das 14h, com a oficina “Cinema Negro feito por Mulheres: História, Autoria e Disputa de Imaginários”. A atividade propõe refletir sobre o protagonismo de mulheres negras no audiovisual e discutir as disputas simbólicas em torno das representações no cinema. A participação é gratuita, mediante inscrição prévia pelo formulário.
No mesmo dia, o público poderá acompanhar a mostra audiovisual, dividida em duas sessões, às 17h30 e 20h. Ao todo, serão exibidos 12 filmes: dez produções selecionadas por meio de chamada pública e dois títulos convidados. A curadoria é assinada pelas cineastas santistas Petyta Reis e Fabianna Conway.
Entre os destaques da primeira sessão estão o filme convidado “Entre Pretas”, dirigido por Alexia Cassiano, de Santos, além dos curtas “Coisa de Preto”, de Pâmela Peregrino; “A Ilha da Exclusão”, de Marina Pereira; “Couraça”, de Susan Kalik e Daniel Arcades; “Pedagogia das Navalhas”, de Colle Christine, Alma Flora e Tiana Santos; e “Meu Pai e a Praia”, de Marcos Alexandre.
A segunda sessão apresenta o filme convidado “Alma Preta”, dirigido por Isadora Barbosa Carneiro e Izzy Motta, também de Santos, além dos curtas “Epílogo”, de Wane Travasso; “Sertão 2138”, de Deuilton B Junior; “Mukundo, da vida após a morte, Maria de Silú”, de Fernanda Souza; “Quando Eu Crescer”, de Felipa Anastácia; e “Malunga”, de Gal Souza.
No dia 15 de março, a programação segue no Sesc Santos, das 15h às 18h, com a exibição do longa-metragem documental “Cadernos Negros”, dirigido por Joel Zito Araújo, um dos principais nomes do cinema brasileiro dedicado a discutir a presença negra na sociedade. Entre seus trabalhos mais conhecidos estão o documentário “A Negação do Brasil” (2000) e o longa de ficção “As Filhas do Vento” (2005), premiado com oito Kikitos no Festival de Gramado.
O documentário revisita a histórica coletânea literária Cadernos Negros, criada em São Paulo nos anos 1970 por intelectuais negros ligados ao Movimento Negro Unificado e posteriormente consolidada pelo grupo Quilombhoje. A série, que chegou à 45ª edição em 2024, tornou-se um marco da literatura negra brasileira.
Após a sessão, haverá um bate-papo com o diretor, acompanhado por Petyta Reis, Mauro Mariano de Assis e Priscila Ribeiro, ampliando o diálogo sobre memória, literatura e representatividade no audiovisual.
Todas as atividades da Mostra Afrocena são gratuitas e contam com recursos de acessibilidade, incluindo intérprete de Libras. Informações detalhadas sobre programação e inscrições estão disponíveis nas redes sociais @afro_cena.



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