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Tempo, tempo, tempo, tempo

30/12/2025 Addriana Cutino
Tempo, tempo, tempo, tempo | Jornal da Orla

Peço licença a Caetano Veloso. Na coluna de hoje, farei menção a uma das canções que mais adoro dele: Oração ao Tempo. Agora faço outro pedido, desta vez a você: observando cada estrofe reflita sobre a história de hoje!

“És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo, tempo, tempo, tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo, tempo, tempo, tempo.”

Nesta última terça-feira de 2025 – antes de eu contar sobre uma empreendedora de Santos, exemplo explícito de fé, esperança e propósito – eu quero agradecer. Obrigada a todos vocês, leitores, ao meu amigo e jornalista Eduardo Silva, a todos os meus colegas do Jornal da Orla e à diretoria deste que é considerado o queridinho dos jornais em nossa região. Desde fevereiro, eu tenho o privilégio de trazer – para as páginas de Economia – histórias de gente que ama desafios e empreende neste nosso país. Assim, eu já pude contar mais de 30 delas. Protagonistas de seus negócios, casos reais de quem atingiu o sucesso, de quem ainda caminha devagar, de quem já perdeu tudo e recomeçou, de quem tomou outros rumos mas nunca desistiu de trabalhar por conta própria. Encerro 2025, lançando uma coletânea de livros infantis, inspirada em histórias já contadas aqui. O POR CONTA PRÓPRIA tem o propósito de incentivar o ‘Empreendedorismo Jovem’ desde a educação de base promovendo a criatividade, o senso crítico, a responsabilidade, a gestão, a educação financeira e o consumo consciente. Por isso, eu te convido a seguir a página do projeto @porcontapropriacolecao. O primeiro livro já está na fase de pré-venda.

“Compositor de destinos
Tambor de todos os ritmos
Tempo, tempo, tempo, tempo
Entro num acordo contigo
Tempo, tempo, tempo, tempo.”

Um novo começo é sempre uma chance de renascer. Eu, como empreendedora, faço jus a esta bela frase. A poucas horas de 2026, que tenhamos coragem para sonhar alto, paciência para esperarmos o tempo certo e gratidão para valorizarmos cada experiência que vivemos. Eu esperei a última coluna do ano para escrever sobre a Danielle Andrade, mestre e fisioterapeuta dermatofuncional, mãe do Lucas e da Júlia, dona de uma marca de dermocosméticos e de uma clínica de estética no Edifício Helbor, da Avenida Conselheiro Nébias. Uma empreendedora de sucesso que, para muitos, jamais chegaria onde está!

“Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo, tempo, tempo, tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo, tempo, tempo, tempo.”

A VIDA É RESULTADO DO MOVIMENTO QUE FAZEMOS
“Eu sou de uma família humilde, de um lar onde a minha mãe foi solo e um irmão cuidava do outro. Cresci morando em bairros de periferia como a antiga Vila Socó, em Cubatão, palafitas e em áreas pobres da Zona Noroeste de Santos. Considerava meu irmão mais velho como um pai. Ele fez toda a diferença na minha vida. O Empreendedorismo começou na minha infância. Não foi uma escolha. Era sobrevivência. Muita gente me vê hoje graduada e não faz ideia do que vivi”, conta Dani.
Danielle começou a trabalhar aos 13 anos de idade como vendedora. A distância entre o trabalho e sua moradia era longa, por isso foi reprovada por falta, na escola onde estudava. O resultado se transformou em evasão escolar. “Naquela época, a minha maior necessidade era sobreviver e pra isso eu só tinha que trabalhar. Sem vergonha alguma eu digo que eu parei de estudar na sexta série e não tinha qualquer perspectiva de voltar. Eu tinha o sonho de ser fisioterapeuta mas a minha realidade era muito distante dos meus sonhos. Eu vivia o hoje.”

“Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo, tempo, tempo, tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo, tempo, tempo, tempo.”

Aos 17 anos, Dani decidiu fazer uma prova para avançar nos estudos. “Eu tinha que eliminar três anos de matérias da escola com uma prova de 20 questões. Nunca deixei de trabalhar. O meu salário ajudava a sustentar os meus irmãos. Sempre trabalhei com vendas e desde sempre o empreendedorismo foi conduzindo a vida. Casei nova, aos 21 anos e engravidei. Quando meu filho tinha seis meses, com a ajuda do meu ex-marido, fui fazer um curso de Radiologia Médica. Foi quando começou realmente minha jornada de estudos”, conta.

“Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo, tempo, tempo, tempo
Quando o tempo for propício
Tempo, tempo, tempo, tempo.”

Aos 25 anos, Dani concluiu o curso, mas não exerceu porque precisava ajudar o ex-marido que trabalhava com compra e venda de veículos. “Com o tempo, ele conseguiu abrir uma loja, mas cinco anos depois o país enfrentou uma grande crise financeira e nós quebramos. Eu fiquei desesperada porque a única coisa que eu sabia fazer era vender e não queria ficar longe do meu filho que tinha cinco aninhos. Decidi, então, investir no meu sonho e estudar Fisioterapia. Entrei numa faculdade com mensalidade baixa, meu ex-marido ajudou a pagar e assim eu me formei”, explica.
Pra contribuir com as despesas, Dani pegou R$ 300,00 emprestados do marido, foi para a 25 de março, na capital, e voltou vendendo bijuterias. “Ali começou a minha jornada de ascensão.”
Para chegar até a estrutura de hoje, a fisioterapeuta começou em um lugar simples. Ela alugou uma pequena sala de um salão de beleza e com o lucro da venda das bijuterias, pagava alguns cursos de estética e realizava atendimentos. Após a faculdade, conseguiu fazer uma pós-graduação em Fisioterapia do Trabalho mas descobriu que a grande satisfação era cuidar de gente e não trabalhar para empresas. Dani aproveitou uma oportunidade, viajou para Portugal e se inscreveu em um curso de dez dias. Retornou ao Brasil e alugou uma outra sala – onde funciona a atual clínica há 11 anos. “Pode acreditar! Quando eu montei aquela sala com o dinheiro que eu guardava com a venda das bijuterias, eu só tinha duas clientes”, conta.
E foi atendendo e vendendo acessórios que a Dani ainda se inscreveu em uma pós-graduação e ficou 18 meses estudando o que realmente ama. Mesmo enfrentando uma pandemia, ela nunca desistiu e se reinventou. “Recentemente eu concluí meu mestrado de Engenharia Biomédica. Ao pegar meu diploma, agradeci demais a Deus. Foi muito difícil, várias matérias de matemática. Eu parei de estudar na sexta série do antigo ginásio. Eu não sabia fazer regra de três. Então, foi um grande desafio. A mensagem que eu deixo é: Da onde você veio e os recursos que você teve ou tem, não te definem. O que constrói o futuro é a tua coragem e a tua fé de querer mudar. Deus e o Empreendedorismo foram essenciais na minha vida.” Parabéns Dani, obrigada Caetano. Que venha 2026! Que eu possa trazer mais histórias inspiradoras. Até lá!

“De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo, tempo, tempo, tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo, tempo, tempo, tempo.”