Colunas

O mundo do trabalho será diferente em 2026?

29/12/2025 Hudson Carvalho
Envato

Querido Einstein, você nunca esteve tão certo e tão errado ao mesmo tempo.

Certo, vivemos tempos em que há mudanças demais ocorrendo em curto espaço de tempo.

Errado, pois há consequências demais, para deixarmos de pesar determinados assuntos.

Se a dificuldade fosse só enfrentar mudanças, já seria desafiador. É mais do que isso. É preciso reaprender. E tudo exige análise imediata e capacidade rápida de reação.

Prefiro as novidades, mas há assuntos que pedem atenção constante. Vejo mudanças demais e reações de menos. Fatos em alta velocidade e preparação para enfrentá-los em baixíssima velocidade.

Qual o impacto desse comportamento sobre o universo das relações de trabalho em 2026?

Começo com o que parece mais ameaçador, tratado como tomador de empregos, extinguidor de profissões: a Inteligência Artificial (IA). Mito!

Não perderemos nossos empregos para a IA. Perderemos para nossa falta de reação. Por deixarmos de utilizar a uma tecnologia que funciona como uma ferramenta de trabalho. Não dá para evitar a evolução da tecnologia.

Seria ingenuidade negar que o perfil de muitas ocupações mudará, mas o “remédio” continua sendo a necessidade de constante requalificação profissional. Desde a invenção da calculadora eletrônica e do computador isso ocorre.

Há competências que sempre foram importantes e que ganham vida nova nesse cenário: a “fluência em português”, por exemplo. Sem ela não será possível fazer à IA as perguntas de forma correta e, por isso, receber as melhores respostas. A falta do hábito da leitura cobrará seu preço.

Outro tema, que continua na pauta de discussões: trabalho remoto ou presencial? Nossa capacidade de reação já deveria tê-lo superado. Tenho certeza de que migraremos para um modelo híbrido, mas o que me incomoda, de fato, é ver a continuidade da discussão.

Insistimos em cobrar o cumprimento da carga horária, da jornada de trabalho, em vez de monitorar as entregas que cada um deve fazer.

Estruturar processos, definir metas e indicadores, acompanhar as equipes é trabalhoso, mas não podemos deixar de fazer. Não dá para fingir que nada está acontecendo.

Outro tema que impactará o mundo do trabalho: a economia informal. Surpreso? Não é fenômeno novo.

Trata-se da contratação de profissionais independentes para atividades temporárias. Motoristas de aplicativos são um bom exemplo, embora não sejam os únicos.

Os “informais” estão conectados a trabalhos temporários e executam diferentes atividades, conforme as oportunidades se apresentam.

Estima-se que, em todo o planeta, tenham movimentado algo em torno de 557 bilhões de dólares, em 2024.

Facilidade de acesso à Internet, avanço dos smartphones e o desejo por liberdade de horários e qualidade de vida são os combustíveis desse mercado.

As empresas precisam prestar atenção a esse tipo de relação de trabalho. Não por estarem passíveis de serem acionadas judicialmente, por uma possível caracterização de vínculo trabalhista, mas por inaugurarem um mundo novo na organização do trabalho.

O clima organizacional, que vem da convivência entre colegas de trabalho e seus líderes, como ficará? E a hierarquia, numa relação contratual tênue, onde o prestador do serviço pode se desligar a qualquer momento?

Por fim, as alterações na NR-01 e a revisão dos riscos psicossociais. As organizações serão obrigadas a repensar como tratam o burnout, ansiedade, stress e assédios.

Palavras positivas para concluir: que bom! Poucas épocas na história trouxeram tantas oportunidades para aprender e crescer.

Se os empregos nunca estiveram tão ameaçados, também nunca houve tanto trabalho novo aparecendo. O primeiro diminuirá radicalmente, o segundo jamais deixará de existir. Sucesso!