Metrópole

Polícia realiza operação em clínica infantil em Santos

18/12/2025 Isabela Marangoni
Fernando Yokota/Jornal da Orla

Os policiais levaram computadores e celulares da clínica para investigação; denúncia foi apresentada por operadora de saúde

A sede da clínica Almai Instituto de Neurodesenvolvimento Infantil, localizada na Avenida Pedro Lessa, em Santos, foi alvo de uma operação da Polícia Civil na manhã desta quinta-feira (18), após denúncia apresentada por uma operadora de plano de saúde. O pedido resultou na instauração de inquérito policial para apurar possíveis crimes de estelionato, associação criminosa e falsificação de documento particular, envolvendo os donos, Polyanna Ribeiro de Oliveira Muniz, Gustavo Silva Muniz e a própria clínica. Os policiais levaram computadores e celulares da clínica para investigação. A reportagem ainda aguarda mais detalhes sobre a operação.

De acordo com a denúncia, a operadora encaminhou às autoridades material recebido de forma anônima — incluindo documentos e áudios — que indicariam a prática de diversas fraudes contra planos de saúde. Entre as irregularidades apontadas estão autorizações de volumes considerados fisicamente impossíveis de atendimentos mensais, chegando a até 500 sessões por paciente.

Também há indícios de falsificação de diplomas e certificados de especialização, que teriam sido utilizados para viabilizar o credenciamento irregular de profissionais. A denúncia ainda relata o suposto pagamento de incentivos financeiros a médicos para a realização de diagnósticos em massa de Transtorno do Espectro Autista (TEA), o que teria provocado um aumento artificial da carga horária de terapias.

Outro ponto levantado é o suposto pagamento das mensalidades de planos de saúde de beneficiários, com o objetivo de mantê-los vinculados à clínica, além da utilização de estagiários sem supervisão adequada. A operadora também aponta a cobrança por terapias que não teriam sido efetivamente realizadas, falsificação de assinaturas em guias de atendimento e a obtenção irregular de logins e senhas dos aplicativos dos beneficiários.

Ainda segundo a denúncia, haveria manipulação de sistemas de validação biométrica, com uso de fotografias dos pacientes para permitir o faturamento de sessões sem a presença real dos atendidos. As supostas condutas teriam gerado vantagem financeira ilícita, prejuízos às operadoras de saúde e possíveis riscos clínicos a crianças com TEA, em razão de atendimentos supostamente não qualificados.

O caso segue sob análise das autoridades competentes, que irão apurar os fatos e verificar a eventual responsabilidade dos envolvidos. O Jornal da Orla tentou contato com a clínica, mas não obteve retorno até o momento.

*Matéria em atualização.