Metrópole

Após 94 dias, navio Professor Besnard volta a flutuar no Porto de Santos

15/06/2026 Da Redação
Divulgação/APS

Passados 94 dias após adernar no Cais do Valongo, em Santos, o navio oceanográfico Professor W. Besnard já pode ser visto em sua totalidade. A Autoridade Portuária de Santos (APS) afirmou que a operação de salvamento da embarcação alcançou importante avanço nesta segunda-feira (15), com a recuperação da condição de flutuabilidade da embarcação. De acordo com o órgão, o navio permanece sob monitoramento técnico contínuo para avaliação de sua estabilidade e integridade estrutural, etapas necessárias antes da definição das próximas fases da operação.

Atracado em Santos desde 2008, o navio adernou na noite de 13 de março. Logo após o incidente, a APS assumiu a coordenação dos trabalhos para evitar que o navio se soltasse ou causasse problemas à navegação no porto. A empresa Marfort Serviços Marítimos foi contratada pelo valor de R$ 8,6 milhões para trabalhos que incluem todas as etapas necessárias para a retirada do navio da água.

Desde o início da operação, mergulhadores e equipes especializadas vinham trabalhando para fechar rachaduras e controlar a entrada de água. Em seguida, começaram as tentativas de retirar a água acumulada no interior do casco para que o navio recuperasse sua capacidade de flutuar.

As primeiras tentativas de reflutuação começaram há cerca de duas semanas, mas os especialistas aguardaram melhores condições do mar, inclusive maré baixa. Nesta segunda-feira, logo após a reportagem do Jornal da Orla verificar que a embarcação poderia ser vista em sua totalidade, a APS confirmou o avanço nos trabalhos.

SÍMBOLO

O Professor W. Besnard é um ícone da oceanografia brasileira lançado ao mar pela Universidade de São Paulo (USP). O nome é uma homenagem ao primeiro diretor do Instituto da USP que, desde 1958, trabalhava para que a universidade tivesse o seu próprio navio.

O navio chegou ao Brasil em agosto de 1967. Navegou mais de 3 mil dias e durante os primeiros 23 anos navegou sem interrupções. Foram centenas de viagens científicas, sendo seis para a Antártica.

Atracado desde 2008 no Porto de Santos, o navio foi cedido pela USP para o município de Ilhabela. Em julho do ano passado, a Justiça determinou que a Prefeitura da cidade do Litoral Norte desmontasse o navio por falta de condições para navegar. Mas, após uma audiência conciliatória, junto ao Ministério Público, a decisão foi suspensa e o navio passou a ser responsabilidade do Instituto do Mar.