
De quando em quando, o mundo se pergunta como os judeus sobreviveram diante de tantos povos mais poderosos do que eles Babilônia, Roma, Grécia, Egito, Vikings, todos esses tiveram momentos de resplandecência e desapareceram na História.
Podemos atribuir esta longevidade à perpetuação de nossos rituais, tradições, a lealdade ao Divino e nossa religião que acredita profundamente nos milagres.
Chanucá é um exemplo disso. Quando o povo grego se instalou em nossas terras, não tentaram simplesmente dominar o território. Vieram, sob o comando do Rei Antíoco, fazer prevalecer sua cultura e suas crenças e fazer com que o judeu assimilasse o Helenismo.
O helenismo era uma síntese da cultura grega (helênica) com as culturas nativas do Oriente Próximo. Era um fenômeno dinâmico, em constante evolução e se tornando continuamente a matéria-prima para novas sínteses com outras culturas nativas.
A cultura grega já havia se desenvolvido até o auge. Fora libertada das limitações da geografia, e agora se podia ser heleno pela educação e pela cultura, não apenas
pelo nascimento. O homem agora estava no centro do cosmos, e não apenas na polis (a cidade grega), como antes.
Embora muitos judeus tenham sido seduzidos pelas virtudes do helenismo, as medidas extremas adotadas por Antíoco ajudaram a unir o povo. Quando os gregos começaram a proibir nossos ritos, a queimar qualquer Torá que encontrassem, a ordenar aos judeus a proibição da kashrut, a profanar nosso Templo Sagrado, e quando um oficial grego tentou forçar um sacerdote chamado Matatias a fazer um sacrifício a um deus pagão, o judeu matou o oficial.
Previsivelmente, Antíoco começou as represálias, mas em 167 AC os judeus se levantaram atrás de Matatias e seus cinco filhos e lutaram pela libertação deles.
A família de Matatias ficou conhecida como Macabeus.
O povo judeu, como um todo, sabia que não poderia abrir mão de sua identidade e os macabeus foram a própria definição disso. Estes heróis lutaram e conseguiram
restabelecer o judaísmo na Judéia.
Na festa de Chanucá, até hoje, celebramos o impossível feito de uma minoria se restabelecer diante de um Império
expansionista, mas também celebramos o milagre do óleo.
Os judeus, ao adentrarem o Templo Sagrado e tentarem acender a Menorá por oito dias para resignificar o Templo, perceberam que o único recipiente sagrado tinha óleo para
um só dia. Milagrosamente, o óleo encontrado durou 8 dias.
Hoje em dia, além de celebrarmos estes dois eventos, a queda do helenismo e o milagre do óleo, ponderamos sobre a existência de milagres e nos damos conta então que em nosso dia a dia, encontramos todo tipo de milagre.
As crianças brincam com o sevivon, um peão de quatro lados com o mnemônico da frase Ness Gadol Haiá Sham,
Um Grande Milagre Aconteceu Lá, que nos remete ao milagre do óleo.
Curiosamente, esta brincadeira do sevivon era um meio das crianças judias aprenderem sobre o milagre de Chanucá, quando e onde fossem proibidos de estudar o judaísmo.
Durante os oito dias da festa, também comemos suvganiot (sonhos recheados) e latkes (bolinhos de batata) que são fritos em bastante óleo, remetendo-nos àquela época.
Mais uma tradição importante de Chanucá é acender a Chanukiá.
Durante todo o ano, usamos a menorá, a lâmpada do templo de sete ramificações. Uma chanukiá é um candelabro feito especificamente para a observância do feriado de Chanucá e tem nove bocais.
Nenhum outro festival judaico – apenas Chanucá determina a visibilidade de seu ritual central. Tanto no Talmud quanto no Shulhan Aruch, o código da lei judaica
do século XVI, somos instruídos a exibir a chanukiá em um local visível, diante de uma porta ou janela, para que judeus e não judeus vejam, cumprindo assim a mitzvá de “pirsumei nisah”,divulgando o milagre.
Em cada ano, e principalmente durante Chanucá, devemos reconhecer nossos milagres e como somos abençoados como povo ao permanecermos fiéis às nossas tradições e rituais.
Que possamos conseguir encontrar o verdadeiro significado da luz em nossas vidas.



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