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A longa marcha

26/09/2025 Thaís Lima
A longa marcha | Jornal da Orla

O filme desta semana é uma distopia governamental que lembra muito Jogos Vorazes, na forma como o Estado transforma a violência em espetáculo. Mas, desta vez, não há arenas nem flechas. Em A Longa Marcha, seguimos por uma prova de resistência física e psicológica, em que caminhar é a única opção, e parar significa morrer.

Baseado no livro homônimo de Stephen King, A Longa Marcha, dirigido pelo mesmo diretor de Jogos Vorazes (Francis Lawrence), apresenta um grupo de jovens que se inscrevem voluntariamente em uma competição onde apenas um poderá vencer. Cada estado do país envia um representante, e as regras são simples, mas cruéis: é preciso manter um ritmo mínimo de 5 km por hora. Quem falha recebe advertências; na última penalidade, a sentença é a morte. Essa é a premissa básica do filme.

A narrativa se desenrola com os passos, pelas conversas e interações entre os participantes, permitindo que conheçamos suas histórias, medos e motivações. O protagonista é Raymond “Ray” Garraty, vivido por Cooper Hoffman. Ao seu lado está Peter McVries, interpretado por David Jonsson. A amizade que nasce nos primeiros passos se revela um elo fundamental, quase como um vínculo de irmãos. Ao redor deles, outros cinco jovens completam o grupo principal, cada um trazendo suas próprias esperanças, fragilidades e formas de lidar com o desafio.

À medida que a jornada avança, vemos não apenas o desgaste físico, mas também o terror psicológico da eliminação. É bonito observar como, mesmo em meio a tanta crueldade, os laços de amizade se formam, trazendo um alívio emocional e um sentido de humanidade ao grupo. David Jonsson consegue passar a mensagem na sua interpretação, carregando um peso sentimental com delicadeza e tornando a história ainda mais comovente.

A Longa Marcha nos mostra que atravessar desafios é mais suportável quando se tem alguém para apoiar, mas também deixa claro que, mesmo diante das adversidades, sempre há espaço para perceber a beleza nas pequenas coisas do dia a dia. E você, teria alguém ao seu lado para acompanhar numa caminhada sem fim?