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Orbital

16/09/2025 Rafael Medeiros
Orbital | Jornal da Orla

O Universo sempre atiçou a curiosidade humana. A exploração espacial, cercada de maravilhamentos, curiosidades, ceticismos e inquietações, vem penetrando no cosmos profundo para revelar os mistérios dos céus. O astrofísico Carl Sagan, uma das mentes mais brilhantes que já existiram e idealizador da premiada série televisiva Cosmos (1980), foi o grande responsável por transformar a intrincada ciência em assunto palatável para o grande público.

Evidentemente que toda essa temática não passou despercebida pelas artes em geral. O audiovisual é profícuo em produzir produtos ambientados no espaço. Também a literatura se aproveita desse épico cenário para embasar diversos gêneros. Orbital, livro que atraiu imensa atenção do público, segue nessa linha: a história se circunscreve ao convívio de seis astronautas em uma estação espacial durante vinte e quatro horas a uma velocidade de vinte e oito mil quilômetros por hora, o que resultará em dezesseis voltas ao redor da Terra.

Mas há um grande diferencial de Orbital para os seus congêneres. É que não se trata de um romance sci-fi. Normalmente as histórias passadas no espaço abordam alienígenas, problemas técnicos severos nas naves, alucinações da tripulação ou descobertas extraordinárias. Nada disso acontece em Orbital. São apenas seis astronautas que, dadas as peculiares condições, colocam a própria vida em perspectiva. É um livro, portanto, bastante intimista. Eis algo diferente sob o sol.

Motivos para ler:

1- A inglesa Samantha Harvey é uma escritora experimentada. Já foi finalista do renomado Booker Prize em 2011 e, com o seu Orbital, finalmente venceu o prêmio em 2024. Dona de um estilo muito lírico, é constantemente comparada a Virginia Woolf;

2- Já dissemos que não se trata de um romance sci-fi. Os astronautas não são construídos como heróis, mas como profissionais que deixam uma vida na gravidade terrestre para alcançar a órbita do planeta. É, em verdade, um livro pautado por dados científicos interessantíssimos devidamente conjugados com delicadas ponderações;

3 Ir além, cada vem mais longe e mais fundo. Será este o destino da humanidade? Deixamos registrada uma das diversas excelentes reflexões deste livro: “Vamos elaborar uma bandeira planetária, porque é uma coisa que faltava para nós na Terra, e vamos nos perguntar se não foi por isso que tudo caiu aos pedaços, e vamos olhar atrás para aquele pálido ponto azul que é a nossa Terra convalescente e dizer, Vocês se lembram? Já ouviram as histórias?”