
O feriado que cai nos primeiros dois dias do mês hebraico de Tishrei tem muitos nomes. Mais famoso, é o conhecido como Rosh HaShaná, o início do ano.
No entanto, também é chamado de Iom Zikaron Truá – o dia da lembrança do toque do shofar, Iom Harat Olam – o dia do início do mundo, e Iom HaDin, o dia do julgamento.
As origens de Rosh HaShaná podem ser buscadas em um ritual de entronização real dos tempos bíblicos, embora a própria Bíblia nunca mencione os aspectos de “Ano Novo” ou “Dia do Juízo” do feriado.
Embora Rosh HaShaná caia no sétimo mês, a tradição rabínica posterior decidiu designá-lo como o início do ano.
Ainda que a origem dessa tradição possa ter sido adotada dos babilônios, os rabinos a imbuíram de significado judaico como o aniversário do dia em que o mundo foi criado, ou do dia em que a humanidade foi criada.
Outra explicação pode ser encontrada no significado de Tishrei como o sétimo mês, como o Shabat que é o sétimo dia do ano.
Mas, como diz Rabbi Lord Jonathan Sacks: “há algo muito estranho em Rosh HaShaná.
Rosh HaShaná é o início do Aseret Iemei Teshuvá, os Dez Dias de Penitência, culminando em Iom Kipur.
Portanto, deveríamos começar esse processo de penitência com penitência: confessando nossos pecados; ashamnu, bagadnu, gazalnu; al cheit shechatanu; slach lanu avinu ki chatanu; slach u’mechal etc.
E ainda assim, ao olhar as orações por Rosh HaShaná, não há uma sugestão de nada disso, nenhuma palavra real sobre Teshuvá.
O que há são as rezas de malchiyot, zichronot e Shofarot, sobre a realeza e soberania de Deus sobre o universo.
A lembrança de Deus sobre as coisas passadas, e o Shofarot, o toque do shofar.
Essas são as estruturas básicas da Amidá de Mussaf, e elas são sobre Deus, não sobre nós.
Quando tentamos definir Rosh HaShaná, em termos de machzor (livro especial de reza das Grandes Festas), vemos Iom Harat Olam, o aniversário da criação. É o aniversário do mundo.
Nada sobre Teshuvá, apenas pequenas dicas aqui e ali, pequenas dicas mesmo, como Zochreinu lechayim, kotveinu lechayim, (escreva-nos no
Livro da Vida) e Avinu malkeinu chadesh aleinu et ha’shana hazot letova, hazireinu b’teshuvah sheleima lefanecha, (traga-nos de volta com arrependimento perfeito).
Mas dizemos isso também em outros momentos do ano. Portanto, não há virtualmente nada específico sobre penitência em Rosh HaShaná.
Por que não? Por que deixar as penitências para Iom Kipur, no último momento?
Entretanto, podemos entender isso quando vemos a relação entre Rosh HaShaná e Iom Kipur.
Rosh HaShaná é sobre o futuro. É sobre Shaná Tová.
É sobre o futuro judaico porque o que lemos no primeiro dia de Rosh HaShaná é sobre o nascimento do primeiro filho judeu, Isaac, e o nascimento do profeta e criador de reis, Samuel, filho da anteriormente estéril Hanna.
Crianças são o símbolo do futuro judaico, e é sobre isso que escolhemos ler em Rosh HaShaná.
Então, uma vez que oramos pelo futuro e pensamos sobre o futuro e nossas responsabilidades, uma vez que tenhamos garantido o futuro, no Iom Kipur podemos lembrar e lamentar o passado.
Às vezes, o passado é tão difícil que, se nos concentrarmos já inicialmente nele, podemos cair em depressão e desespero.
E o jeito judaico é dizer não, apenas olhar para frente e construir um futuro, e então quando tudo estiver seguro, podemos voltar e olhar para o passado.”
Somos governados pelo Rei dos Reis, Criador do Universo. Portanto, Ele vê passado, presente e futuro.
E o judaísmo diz que Adonai, cheio de misericórdia, desce ao nosso mundo durante o mês de Elul até Iom Kipur.
Ele sabe o que vai funcionar e o que vai falhar e sabe como nos guiar. Ele espera que tenhamos sucesso sob Seu governo no ano que entra.
A cada ano, Ele julga o mundo – e nos dá a oportunidade de procurar maneiras de fazer melhor.
Podemos eliminar os maus hábitos e substituí-los por outros melhores, a fim de aumentar nosso compromisso com o judaísmo e a ética judaica no futuro.
O governo de Deus sobre a humanidade e nossa necessidade de servir a Deus são enfatizados repetidamente durante as Grandes Festas.
Com a insegurança que estes anos nos ensinam, é de máxima importância que nos concentremos em construir o futuro e recuperar tudo o que foi danificado.
Construir algo ainda mais bonito no lugar do que se perdeu, e que nesta construção possamos encontrar a paz.
Shaná Tová u Metuká



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