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A vida como ela é: uma peça em dois atos

18/08/2025 Hudson Carvalho
Envato

PRÓLOGO.
Peça em dois atos?
Sim. Quero compartilhar com vocês uma reflexão que me acompanha: equilibrar a necessidade de planejar minimamente a carreira – e a vida – com a imposição de viver um dia de cada vez. Difícil.

Não podemos viver a esmo, à mercê de sermos levados para onde sopram os ventos. Ao mesmo tempo, não controlamos o ontem, nem o amanhã. Só vivemos o agora, o momento presente.

Para ser didático, pretendo fazê-lo em dois momentos, ou atos.

ATO 1: ESCOLHA O SEU DIFÍCIL.

O Professor Marins tem uma história interessante, que ajudará a encaminhar essa parte da “peça”: conta que, em uma de suas viagens, teve a oportunidade de pernoitar na casa da avó. Durante o jantar, ela pergunta:
– Então, meu filho, como vai a vida?
– Ah, vó, uma canseira. Vivo do aeroporto para o local da palestra; de lá pro hotel. No dia seguinte, tudo de novo, ainda mais longe.
– Meu filho, então fique aqui. Sempre haverá uma cama e um prato de comida para você.
– Pois é, vó, não dá. São muitos compromissos.
– Então, vá, Luiz.
– É, vó, mas é desgastante.
– “Então, fique.

Percebe que, entre ir e ficar, essa história poderia estender-se indefinidamente?

Decisões difíceis são tomadas todos os dias. Controlar as contas do mês ou as dificuldades financeiras? Viver com a obesidade ou controlar o peso? Investir um relacionamento ou partir para outro? Não há caminho fácil. Temos que optar por qual dificuldade vamos passar.

O nome do jogo: ESCOLHA!

Escolher significa avaliar riscos, considerar opções e decidir onde posso me dar melhor, ou menos pior.

A primeira dica: acreditar na sua intuição. Ao contrário do que parece, não é algo aleatório. O insight que você recebe é o resultado do processo que o cérebro faz na velocidade de um raio, considerando tudo o que você aprendeu e viveu até o momento. É uma análise de risco, feita em microssegundos.

É o cérebro, essa maravilha, que comanda o mecanismo que leva à segunda dica deste texto. Sair da zona de conforto. Por uma razão simples: ele também quer diminuir riscos e, por consequência, proteger-nos dos perigos que prevê encontrar pelo caminho. Então, apesar do enorme poder da intuição é importante que nos questionemos a razão de cada ato e decisão que tomamos, caso contrário, a vida entra no automático, comandada por experiências passadas que a intuição se limita a nos revelar. A inovação ficará de lado e nós sabemos o quanto essa competência é fundamental nos dias de hoje.

ATO 2: EU NÃO LEVO DESAFORO PARA CASA.

Sinto dizer, mas você leva. Como eu e todos nós. Não gostamos, mas o contrário é praticamente impossível.

No caminho das escolhas que fazemos todos os dias, frequentemente desagradaremos alguém, ou “alguéns”. A maioria dessas pessoas – às vezes com a melhor das intenções – reagirá e tentará convencer-nos do contrário. Quanto maior a nossa reação, maior a possibilidade de conflito.

As dicas aqui também são duas: a primeira é não esquecer da frase que diz: “Há três coisas na vida que não voltam: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida”. Então, não perca a chance de pensar antes de falar.

A segunda dica é de uma simplicidade que dá medo: considere que a pessoa que discorda de você pode estar certa.

EPÍLOGO
Como gosta de dizer uma amiga do mundo profissional, “cada escolha, uma renúncia”. É obrigatório escolher caminhos, então, que as façamos com a sabedoria de respeitar a nós mesmos, mantendo os relacionamentos no melhor nível possível. Não seja você, o seu pior inimigo. A vida não vai interrompê-lo quando estiver errando.