Cena

‘A Mulher da Casa Abandonada’, no Prime, amplia universo do podcast

18/08/2025 Gustavo Klein
Reprodução

A Mulher da Casa Abandonada, série documental que estreou no Prime Video, amplia o universo do podcast que se tornou um fenômeno em 2022. Criado pelo repórter Chico Felitti, o programa em áudio revelou a história de Margarida Bonetti, uma mulher acusada de manter uma empregada em condições análogas à escravidão nos Estados Unidos, que retornou ao Brasil e passou a viver reclusa em uma mansão em ruínas no bairro de Higienópolis, em São Paulo.

A série, dirigida por Kátia Lund, com codireção de Livia Gama e Yasmin Thayná, leva para a tela uma investigação mais ampla, que une depoimentos inéditos, dramatizações e documentos oficiais, trazendo novas camadas ao caso.

O podcast original, lançado pela Folha de S.Paulo, já havia impactado milhões de ouvintes ao expor como uma casa abandonada, de aparência fantasmagórica, escondia segredos de um passado de violência e exploração.

Ao aprofundar a apuração, Felitti mostrou como Margarida e o então marido, Renê Bonetti, foram acusados nos EUA de explorar Hilda Rosa dos Santos, que trabalhou durante anos em regime de servidão. Renê foi condenado e preso, enquanto Margarida conseguiu retornar ao Brasil, onde permanece até hoje, vivendo no imóvel que se tornou um personagem por si só.

A mansão, avaliada em milhões, mas em estado de abandono, é o eixo simbólico da narrativa, traduzindo o isolamento e a recusa de sua moradora em encarar o passado.

Na adaptação televisiva, a história ganha novas dimensões. Hilda Rosa surge em depoimento inédito, dando voz ao sofrimento e às marcas deixadas pelos anos de exploração. A série ainda traz relatos de vizinhos, documentos judiciais e entrevistas com agentes que investigaram o caso, evidenciando as consequências legais que chegaram a influenciar a criação de uma lei americana de proteção a vítimas de trabalho forçado.

Com produção que envolveu mais de um ano de pesquisa no Brasil e nos Estados Unidos, o documentário reforça a importância de revisitar a memória coletiva e dar visibilidade a crimes que costumam permanecer invisíveis.