
A nova adaptação de Orgulho e Preconceito anunciada pela Netflix já desperta curiosidade antes mesmo de encerrar as filmagens. Com estreia prevista para 2026, a minissérie trará Emma Corrin no papel de Elizabeth Bennet e Jack Lowden como o Sr. Darcy. A produção conta ainda com Olivia Colman como a Sra. Bennet e roteiro assinado por Dolly Alderton, autora de Tudo que Eu Sei Sobre o Amor. O diretor Euros Lyn, conhecido por Heartstopper, comandará os episódios. A primeira imagem divulgada mostra as cinco irmãs Bennet e promete uma abordagem contemporânea e sensível.
Mas toda nova adaptação de Austen carrega o fardo de ser comparada a versões anteriores — e com razão. Orgulho e Preconceito, publicado em 1813, é uma das obras mais amadas da literatura britânica. A crítica social embutida no romance, o humor afiado de Austen e os personagens tão vivos quanto atemporais tornam cada releitura uma tarefa complexa. O romance acompanha Elizabeth, uma jovem espirituosa e de opiniões fortes, e sua relação conturbada com o reservado Sr. Darcy, ambos envoltos por uma sociedade que valoriza o casamento como ferramenta de ascensão social.
Entre todas as adaptações já feitas — e não foram poucas —, a versão de 2005 dirigida por Joe Wright permanece, para mim, insuperável. Não apenas pelo elenco, que trouxe Keira Knightley, Donald Sutherland e uma jovem Carey Mulligan como Kitty, mas pelo conjunto da obra. A direção sensível de Wright, a fotografia arrebatadora com enquadramentos que falam por si, e a trilha sonora assinada por Dario Marianelli criam uma experiência.
A delicadeza da narrativa naquele filme, os silêncios, os gestos contidos formam um cenário que serve de espelho ao jogo de emoções e hesitações dos personagens. É uma adaptação que compreendeu Austen não apenas em suas palavras, mas no espírito. Superar essa síntese entre conteúdo e forma será uma missão quase impossível, mesmo com um elenco talentoso e uma equipe criativa atualizada.
A expectativa é válida, e a Netflix tem investido com ousadia em releituras literárias. Mas será necessário mais do que bons nomes para chegar perto da magia que Joe Wright entregou em 2005.


Amei esse filme!
Eu, de fato, estou ansiosa para ver essa nova adaptação. Mas não vou por muitas expectativas, pois acredito que o filme seja a versão visível mais próxima da obra de Austin.