Colunas

Perseverança, a arte de crescer, um dia de cada vez

14/07/2025 Hudson Carvalho
Freepik

Há uma frase que diz, “Nunca diga nunca”. Nesse caso, entretanto, temos que dar licença a Churchill para repetir sete vezes a mesma palavra, em poucas frases. Afinal, podemos estar lutando contra o maior inimigo de todos: nós mesmos.

A falta de perseverança pode ser um problema sério na vida e na carreira de cada um de nós.

Poderia concluir o texto, neste mesmo parágrafo, dizendo simplesmente: perseverar é manter a disciplina para atingir um objetivo. Simples? Não. Simplório!
Você e eu sabemos que não é assim.

Antes de tudo, é preciso escolher as batalhas. Não dá para lutar todas. Em outras palavras, quais são os temas realmente importantes para minha vida/carreira? São esses que devem (esse é o verbo) obrigatoriamente ser resolvidos. O contrário disso seria tentar resolver tudo ao mesmo tempo, causa de boa parte da ansiedade que vivemos em nosso tempo.

Divido com você o método que uso para escolher. Não é meu, mas funciona.

Faço três perguntas: QUERO? POSSO? DEVO? Se a resposta for SIM para as três, o tema vale a pena. Se não for, ficará na lista de espera. Amanhã é outro dia.

Voltaremos a ele quando e se, algo mudar. A vida e suas situações são dinâmicas e uma revisão é sempre necessária.

Obviamente respondo SIM, três vezes, para muitas perguntas, então, sou obrigado a priorizar. Quais, entre os eleitos, será resolvido primeiro? Não se iluda. O cérebro humano funciona de forma muito mais eficaz e eficiente, se trabalhar com foco, resolvendo – começando, processando e concluindo, – uma coisa de cada vez. Escolha o que faz sentido no seu momento de vida e trabalhe sobre ele.

“Prioridade” vem do Latim, “prioritas”, primeiro. Só um pode ser ocupar o topo da lista. Imagine que é uma palavra sem plural. A frase: “Vou cuidar das minhas prioridades”, não funciona. Não há mais de uma prioridade a ser tratada ao mesmo tempo.

Uma dica, na hora de avaliar: assuntos urgentes são diferentes de assuntos importantes. Urgentes, por sua natureza, devem ser resolvidos primeiro. Feito isso, voltamos para os importantes. Considere essa volta como obrigatória, caso contrário, você ficará eternamente refém dos assuntos urgentes.

Ultrapassadas essas etapas, estamos prontos para trabalhar na solução – começo, meio e fim, da tal prioridade escolhida.

Dizem que conseguir descrever o problema já é meio caminha andado. Eu faço exatamente isso: escrevo, à mão, com o máximo de detalhes possíveis, o que pretendo resolver.

Fazendo dessa forma consigo visualizar onde estarão os “gargalos” – aqueles pontos onde o assunto vai engasgar (portant,o será uma fase que levará mais tempo para ser resolvida), aquelas etapas que poderei delegar e as que deverei fazer pessoalmente.

Avaliar cada etapa descrita permite também enxergar se haverá etapas as quais não conseguirei resolver sozinho e, logo, precisarei de ajuda que alguém que conheça o assunto melhor do que eu. Humildade nessa hora. Ninguém sabe tudo sobre tudo.

Por fim, aconselho que esteja preparado para conviver e aprender com seus próprios erros. Excelentes professores, ensinam mais e melhor do que qualquer um.

Espero que esse caminho lhe sirva, ou que você consiga adaptar um que lhe seja conveniente. O único itinerário proibido é o da procrastinação, antônimo e inimigo mortal da perseverança.