
“Nosso corpo foi desenhado para o movimento, para andar, correr, se abaixar.”
Dr. Dráuzio Varella, médico
À medida que envelhecemos, o corpo não pode ficar parado. Dores aparecem, a flexibilidade diminui, as atividades do dia a dia tornam-se mais lentas e limitadas. Há também o declínio da densidade óssea e o risco de surgirem a osteoporose e a sarcopenia — condições que trazem perda de massa óssea e muscular, aumentando a probabilidade de quedas, fraturas e perda de força.
A Organização Mundial da Saúde recomenda que pessoas idosas pratiquem, semanalmente, entre 150 e 300 minutos de atividade aeróbica moderada, ou de 75 a 150 minutos de atividade aeróbica intensa.
Como cada envelhecimento é único, o exercício físico também deve ser personalizado de acordo com a idade e as condições físicas de cada pessoa. Especialistas indicam: exercícios resistidos, como a musculação, que fortalecem a musculatura; atividades de flexibilidade, que previnem o encurtamento muscular; exercícios aeróbicos, como caminhada, corrida ou ciclismo.
No início, é preciso ter paciência: o corpo demanda um tempo para se adaptar. Às vezes, a prática pode ser desconfortável no começo, mas, com o tempo, torna-se prazerosa. Importante é começar. Afinal, sabemos que atividade física produz endorfinas, o hormônio liberado pelo corpo durante e após o exercício, que pode causar sensações de bem-estar, euforia e redução da dor.
Antônio Cândido Ribeiro Sobrinho, de 82 anos, faz musculação com o personal Murilo Godoy há três anos e é um entusiasta da atividade física: “Eu me sinto muito bem, saio da academia renovado e pronto para enfrentar o dia.” Murilo explica que a musculação melhora o desenvolvimento motor, a agilidade e a força — e que os resultados podem ser visíveis em pouco tempo: “O treino precisa ser sempre adaptado às condições físicas e às necessidades de cada pessoa. O ideal seria a prática diária, intercalando com exercícios aeróbicos, mas três vezes por semana já é um ótimo começo. Costumo dizer que atividade física é como o almoço: tem que fazer todo dia e para sempre.”
Para pessoas idosas, ele reforça a importância de treinar equilíbrio, força e coordenação motora, funções que tendem a diminuir com o tempo. Um atendimento personalizado garante mais segurança, mas é possível também participar de aulas coletivas, sempre com o acompanhamento adequado para evitar lesões.
Mesmo ao praticar exercícios em casa, é fundamental tomar cuidados para evitar acidentes. Murilo orienta: “O idoso deve sempre se abaixar com as pernas afastadas na largura dos ombros para pegar algo no chão. Se sentir tontura estando sozinho, deve parar onde estiver e ir se abaixando devagar até se sentar ou se deitar no chão, evitando quedas.”
A professora de natação Patrícia Guedes também destaca os benefícios da atividade física: “A natação reduz o risco de quedas e ajuda a aliviar sintomas de ansiedade e depressão. O ideal é fazer uma avaliação médica antes de iniciar, especialmente para quem tem problemas cardíacos, de equilíbrio, desorientação, doenças respiratórias, alergias ao cloro ou feridas abertas. Mas qualquer pessoa pode aprender a nadar, inclusive os mais velhos.”
Dicas de filmes inspiradores
Nyad
Baseado na história real da nadadora americana Diana Nyad, que, aos 60 anos, enfrentou o desafio de nadar 161 km, de Cuba à Flórida, em alto-mar e sem gaiola de proteção contra tubarões. Com o apoio da melhor amiga Bonnie Stoll (Jodie Foster) e de uma equipe dedicada, Nyad (Annette Bening) desafia todos os limites. (Netflix)
Atleta de 69 Anos

O Aos 70 anos, Vijay, ex-atleta, quer provar que ainda é capaz de realizar grandes feitos. Movido por uma promessa feita à esposa falecida, ele sonha em se tornar o competidor mais velho a cruzar a linha de chegada de um triatlo. (Netflix)



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