
“O grande segredo para quebrar as regras é fazer com que pareça que você as está seguindo.”
Anônimo
Contrato pessoas há quase 30 anos. Leio dezenas de currículos mensalmente. Lá, todos somos excelentes. Só nossas próprias mães nos descreveriam melhor.
Entrevisto outras dezenas. Nesse momento, o verdadeiro candidato começa a aparecer. A vida torna-se real a cada resposta, a cada mudança na postura corporal. O corpo “fala”. Os olhos – espelho da alma – nos entregam.
Possuir as competências técnicas, é fundamental e continuará sendo. Mas o comportamento é que define, na entrevista ou na permanência de qualquer um de nós em uma empresa.
Alguns dirão: “a empatia entre entrevistador e entrevistado conta.”. Sim, quanto menos treinado for quem conduz a entrevista.
Para mim, mesmo antes das facilidades que hoje as redes sociais oferecem para conhecer a conduta do candidato, sempre procurei, por meios lícitos, descobrir quem é o pai, marido, filho, amigo, por trás do profissional.
O bom profissional deve ser, obrigatoriamente, bom cidadão. Como disse Abraham Lincoln, “Pode-se enganar a todos por algum tempo, pode-se enganar alguns por todo o tempo, mas não se pode enganar a todos todo o tempo”.
Digo isso porque têm me incomodado demais os comportamentos (permissivos?) que vejo crescerem. Dou exemplos, simples, mas que devem fazer parte do seu dia a dia, para ajudar a pensarmos juntos: no trajeto entre minha casa e o escritório, vejo, diariamente, diversos motoristas e motociclistas atravessando no sinal vermelho, ciclistas pedalando na avenida, bem ao lado da ciclovia, pedestres atravessando fora da faixa, desafiando, enfrentando os veículos. Todos achando-se estar com plena razão.
Jovens, “afogados” pela luz azul dos smartphones, sentados no transporte público, enquanto os idosos chacoalham de pé. Segurar uma porta de elevador, nem pensar. Dar passagem? Esqueça. Uma pequena gentileza? Nunca. As palavrinhas mágicas: “bom dia”, “por favor”, “obrigado”: esquecidas.
Direitos, todos. Deveres, nenhum. Quando começou a era do “tudo é permitido”? Quando nossa liberdade de fazer o que bem entendemos continuou existindo, mesmo que a do outro já tenha começado? Quando o “eu” tornou-se mais importante que o “nós”?
Alguns poderão dizer: “você está ficando velho e tudo te incomoda”. Pode ser. Eu ouviria e acrescentaria: também erro, mas tenho consciência dos erros, eles me incomodam e procuro corrigi-los.
Ajo assim, não por ser superior a ninguém, mas porque sei que a falta de consciência sobre essas falhas de comportamento, são carregadas para dentro da organização e dificultam, impedem nosso crescimento profissional.
Sem o “treinamento” que o dia a dia em casa e na sociedade nos proporciona, como será possível trabalhar em equipe, responder à hierarquia, seguir procedimentos?
Estaremos na pior condição possível de (falta de) aprendizado, que é nem sabermos que estamos fazendo algo errado. Dentro e fora da empresa, a falta de consideração pelos demais pode ser tolerada por algum tempo, mas não para sempre.
Se ocupar posição de liderança, atenção redobrada. O medo que a equipe possa ter do líder (chefe, neste caso), é algo muito diferente de respeito.
Na minha avaliação, o maior fator de contribuição para essa falta de atenção com o ambiente e as pessoas à nossa volta é passamos tempo demais olhando para a tela do celular, além do necessário. Enquanto usamos fones de ouvido, conectados à rede social, estamos desconectados do mundo. A vida real passa lá fora.
Só estamos filosoficamente vivos no presente. Não mudamos o passado, nem o futuro.
Tenha certeza de estar “vivendo agora” pelas regras certas.



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