Longevidade

Não tem jeito: quem envelhece, cai

28/06/2025 Ricardo Mucci
Arquivo pessoal

Quedas se tornam cada vez mais comuns conforme a idade avança; perigo está no cotidiano

As quedas são uma questão importante para os 50+. Elas acontecem de forma inesperada. Pode ser um buraco na calçada, um piso escorregadio, um tropeção na escada ou mesmo ao descer do ônibus. O pior são as consequências: podem provocar uma simples perna quebrada ou uma deficiência física para o resto da vida.

Fator vital para minimizar o efeito das quedas é estar fisicamente preparado: fortalecer as articulações e a musculatura para suportar os impactos e minimizar os danos ao corpo. Estudos indicam que 30% das pessoas a partir dos 60 anos sofrem quedas de maior ou menor grau todos os anos e, o percentual vai crescendo com o tempo, aumentando substancialmente a partir dos 75 anos. Dados do Ministério da Saúde indicam que 7 em cada 10 mortes de idosos a partir dessa faixa etária são motivadas por quedas.

Para falar desse tema relevante, conversei com a jornalista Ana Castro, que se dedica ao tema há muito tempo, por interesse e necessidade. Ela, juntamente com outros 60+, participou das experiências, que resultaram na criação da primeira Cartilha Educativa para Prevenção de Quedas em Idosos, que tem o apoio do Ministério da Saúde. Um trabalho pioneiro liderado pelos professores Marisete Peralta Safons, Juliana Nunes de Almeida Costa e Marcelo Nunes de Lima, da Universidade de Brasília. A cartilha é contribuição importante para o junho prateado: dia 24 é celebrado o Dia Mundial de Prevenção de Quedas.

Ana afirma que “para pessoas idosas, a queda é fator de sobrevivência. Eu mesma cai quatro vezes num ano e, se meu corpo não estivesse treinado, os danos seriam maiores.

O preparo físico nos ajuda na propriocepção, que é a capacidade do corpo de perceber a própria posição e os deslocamentos no espaço, sem depender apenas da visão. É um sentido que informa o cérebro quais as partes do corpo devem se mover, preservando o equilíbrio e a coordenação dos movimentos. É vital para os idosos”.

Saúde é mais do que médico, remédio, exame e hospital. Muitas vezes o perigo está escondido nas atividades cotidiano. Os governos e os planos de saúde precisam fazer as contas, porque prevenir é bem mais barato e inteligente do que tratar. A jornalista, que hoje vive em Aquiraz, cidade do litoral do Ceará, tem o privilégio de praticar diversas atividades, entre elas a hidroginástica, que tem fortalecido sobremaneira seu condicionamento físico. “Só a prática regular do pilates me fez ‘crescer’ dois centímetros, pois ao longo do tempo partes de nosso corpo se atrofiam, comprometendo movimentos, postura e provocando dores incômodas. Precisamos trocar a dor da idade, pela dor do exercício físico, que é bem mais saudável para o nosso corpo”, ela esclarece.

VEJA AS DICAS

Informar seu médico sua condição física para prevenção de riscos;
Evitar medicamentos sem prescrição médica;
Seguir orientação médica pós-queda: imobilização, gelo, fisioterapia, revisão.

Cuidados com calçados
Preferir solados firmes e sandálias presas ao pé: Havaianas não; abandonar saltos finos, altos e solados lisos.

Cuidados na rua
Utilizar sempre corrimão nas escadas; olhar por onde pisa; não usar celular enquanto anda

Em casa
Remover tapetes, obstáculos e móveis instáveis; sinalizar desníveis com luzes de movimento ou fitas antiderrapantes; secar bem e não encerar os pisos; recolher objetos e brinquedos do chão; redobrar atenção com animais de estimação e coleiras.

Cuidados em geral
Usar as tecnologias disponíveis: manter celular acessível, alarme de queda e sistemas de monitoramento; em caso de necessidade, utilizar bengala ou andador; cobrar acessibilidade de ruas, prédios e transporte público na sua comunidade.