
Questão afeta mais a expectativa de vida do que sedentarismo e tabagismo
Existem diversos fatores que impactam no envelhecimento e um deles – pouco explorado – é a pobreza. Ela impõe condições adversas como stress, fome, violência, poluição e doenças crônicas, entre outras precariedades, que afetam a saúde mental das pessoas que vivem nesses ambientes.
Pesquisas já demonstraram que o fator socioeconômico afeta mais a expectativa de vida do que sedentarismo, tabagismo, alcoolismo ou hipertensão. Portanto, deveriam integrar as políticas públicas concebidas para elevar a qualidade de vida das populações que habitam regiões carentes.
No Brasil, de acordo com o Banco Mundial, os indicadores de situação de pobreza caíram, mas o contingente de brasileiros nessa situação ainda é alto: 45,8 milhões. Em São Paulo, o índice é de 16,5%, que corresponde a 7,5 milhões de pessoas. Se projetamos esse percentual para região da Baixada Santista estamos falando em cerca de 300 mil pessoas.
Estudo recente realizado pelo Imperial College de Londres, na Inglaterra, publicada na revista científica The Lancet, confirmou teses anteriores de que há relação direta entre pobreza e envelhecimento. O processo decorre de carências conhecidas e ocorre em crianças, a partir dos primeiros anos de vida. “Nossas descobertas mostram uma relação clara entre a riqueza familiar e um marcador conhecido do envelhecimento celular (telômeros), com padrões potencialmente permanentes se formado na primeira década de vida da criança”, explica Oliver Robinson, o autor principal do estudo, da Faculdade de Saúde Pública do Imperial College.
O estudo dos telômeros está diretamente ligado ao envelhecimento humano. São estruturas integradas aos cromossomos e desempenham um papel importante no envelhecimento celular e na proteção do DNA. Um sinalizador do nosso relógio biológico. A degradação dos telômeros está ligada ao envelhecimento, uma vez que essas estruturas encurtam com o tempo, provocando a morte de células e, consequentemente, tornam o organismo mais suscetível a doenças. Outros estudos indicam que há relação entre o comprimento dos telômeros e doenças crônicas, entre elas o estresse.
“Nosso trabalho sugere que vir de um ambiente de baixa renda causa desgaste biológico adicional. Para crianças, isso pode equivaler a aproximadamente dez anos de envelhecimento em nível celular, em comparação com crianças de famílias de alta renda”, explica o pesquisador Oliver Robinson.
Prevenção
Dados como esses confirmam a tese de que longevidade é processo. Um investimento que deve ser feito durante a vida, para que o envelhecimento seja menos penoso do que naturalmente é. A constatação de que a condição socioeconômica afeta diretamente a saúde das pessoas não é, exatamente, uma novidade. A epigenética estuda a influência do habitat no ser humano há muito tempo, mas a cada avanço científico uma nova luz amarela se acende.
Nesse caso, a inclusão social, o combate à fome e à pobreza são indicadores potentes de que o desafio é exponencial e afeta diretamente a expectativa de vida da população. Um alerta importante para os gestores públicos, especialmente da Baixada Santista, que é uma região reconhecida por oferecer qualidade de vida aos seus habitantes e abrigar um grande contingente de população idosa.



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