
Na atual sociedade em que vivemos, a automedicação tem se tornado uma pratica comum, especialmente em tempos de maior acesso às informações por meio da internet (conhecidos famosos como o Dr. Google e a Dra. Inteligência Artificial), além dos inúmeros tratamentos errados e mercantilistas publicados nas redes sociais. Outro fator que preocupa bastante é a facilidade para a aquisição de medicamentos sem a orientação de um profissional de saúde, podendo trazer sérios riscos.
Podemos definir a automedicação como o uso de medicamentos por conta própria, ou aquela famosa recomendação de conhecidos ou familiares, sem a supervisão de um clínico. Em recente estudo apontamos um dado alarmante, no qual foi constatado que quase 80% da população brasileira já fez uso de algum medicamento sem as devidas orientações médicas.
Tentando entender essa prática, que não se restringe só ao Brasil, mas focando em nossa sociedade, chegamos a alguns fatores que contribuem para essa prática:
Acesso fácil a medicamentos: como é notável (principalmente em nossa região) o crescimento exponencial de farmácias e drogarias. Algumas das quais infelizmente praticam a venda de medicamentos sem receita, visando apenas o lado comercial, esquecendo a responsabilidade sanitária pública;
Aumento do uso da internet: a internet virou a ferramenta mais importante de nossa vida. Nos tempos atuais estamos constantemente “on-line”, com essa situação instalada levando muitos indivíduos a se autodiagnosticarem e automaticamente se automedicarem e, infelizmente, por muitas vezes baseados em informações inadequadas ou incompletas;
Cultura de consumo/soluções e atendimentos rápidos: a sociedade atual vive uma pandemia de solução rápida para tudo, desde a compra imediata até a própria saúde. Infelizmente, quando tratamos dos problemas de saúde, essa solução não pode ser vulgarizada e, por muitas vezes, existe a busca por medicamentos ao invés de tratamentos médicos específicos.
Quando falamos sobre automedicação, não podemos esquecer dos riscos envolvidos, que são amplos, entre os quais podemos incluir:
1-) Efeitos colaterais indesejados: o uso inadequado dos medicamentos pode resultar em reações adversos e efeitos colaterais não desejados em consideração;
2-) Interações medicamentosas: sem consulta com o profissional habilitado, os pacientes podem combinar medicamentos que podem interagir de forma negativa, algumas vezes anulando o efeito, reduzindo a eficácia do tratamento ou, ainda, potencializando os efeitos colaterais;
3-) Resistência aos medicamentos: o uso discriminado de alguns medicamentos, como, por exemplo,
os antibióticos, podem causar a resistência de algumas bactérias, tornando as infecções comuns muito mais difíceis de serem tratadas. Na área das análises clínicas esse quadro se faz rotineiro na urinálise, na qual o paciente faz uso de um antibiótico qualquer e realiza o exame de Urina I ou Urocultura, ocorrendo o fenômeno denominado na classe médica como Antibióticoterapia e, por sua vez, camuflando os resultados dos exames e atrapalhando na escolha do antibiótico correto;
4-) Atraso do diagnóstico correto: pacientes que optam por se automedicar podem camuflar sintomas significativos, que demandariam uma avaliação médica, atrasando o diagnóstico correto e, por muitas vezes, atrapalhando no tratamento de condições mais graves.
Sendo assim, os impactos da automedicação vão além da saúde individual, estendendo-se à saúde pública, criando consequências como o aumento da carga sobre o sistema de saúde, na qual pacientes adeptos da automedicação utilizam frequentemente os serviços de emergência ou atendimento médico, sobrecarregando o sistema.
Observamos também que a resistência a antibióticos, resultante do uso improprio, torna desafiador o controle de surtos epidemias.
Sobre o lado econômico, notamos que a automedicação pode, inicialmente, parecer uma alternativa econômica, mas as condições que podem surgir acabam por implicar custos elevados, tanto para tratamentos quanto para diárias hospitalares.
Notamos que a educação em saúde deve se tornar uma prioridade, capacitando os indivíduos a tomar decisões informadas e responsáveis acerca de sua saúde.
“Informar é o primeiro passo para transformar sua saúde”.



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