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Hebron, a Cidade Sagrada desde Sempre

05/06/2025 Mendy Tal
Hebron, a Cidade Sagrada desde Sempre | Jornal da Orla

Israel tem quatro cidades sagradas: Jerusalém, Tiberíades, Safed e Hebron. Hebron é a única onde o povo judeu atualmente compreende apenas uma pequena porção da população, mas ocupa um lugar especial no coração do povo judeu.

Assim como Jerusalém, a antiga cidade de Hebron desperta profundas paixões religiosas e políticas e tem sido palco de tensões crescentes entre judeus e árabes.

Hebron está localizada a 32 quilômetros ao sul de Jerusalém e foi construída sobre várias colinas e wadis, a maioria dos quais corre de norte a sul. A palavra hebraica Hebron é explicada como sendo derivada da palavra hebraica para amigo (chaver), uma descrição do Patriarca Abraão. Hebron é uma das cidades mais antigas do mundo continuamente ocupadas e tem sido um dos principais focos de culto religioso por mais de dois milênios.

Hebron é mencionada pela primeira vez na Bíblia como o lugar onde Abraão construiu um altar para servir a Deus, depois que Deus lhe disse para “levantar-se, andar na terra [de Canaã], em toda a sua extensão e largura, pois eu vo-las darei.” O lugar onde ele se estabeleceu é descrito como a planície de Mamre, que fica em Hebron.

Escavações arqueológicas revelam vestígios de robustas fortificações datadas do início da Idade do Bronze, cobrindo cerca de 24 a 30 dunams centrados em torno de Tel Rumeida (sitio arqueológico). A cidade floresceu nos séculos XVII e XVIII AEC, antes de ser destruída pelo fogo e foi reassentada no final da Idade Média do Bronze. A antiga Hebron era originalmente uma cidade real cananeia.

O Livro do Gênesis menciona que antigamente era chamada Kyriat-Arba, ou “cidade dos quatro”, possivelmente referindo-se aos quatro pares ou casais que foram enterrados lá.

Depois que sua esposa Sarah faleceu aos 127 anos, Abraão veio a Hebron para chorar e enterrá-la lá. Os hititas que ali viviam na época ofereceram a Abraão o local de sua escolha, e ele escolheu uma caverna no campo de Efrom.

Efrom a ofereceu a Abraão como presente, mas Abraão insistiu em pagar de forma justa, acabando por comprá-la por 400 shekalim de prata. Esta é a primeira compra judaica de terras registrada em Israel.

A história da compra de Abraão da Caverna dos Patriarcas dos hititas constitui um elemento seminal no que viria a se tornar o apego judaico à terra, na medida em que significava a primeira “propriedade” de Israel, muito antes da conquista sob Josué.

Independentemente de onde faleceram, todos os três patriarcas – Abraão, Isaac e Jacó – foram enterrados junto com suas esposas na caverna de Efrom, que ficou conhecida como Me’arat HaMachpelah, “a caverna dupla”. Das duas esposas de Jacó, apenas sua esposa Lia foi enterrada lá. Rachel, sua favorita, foi enterrada à beira da estrada a caminho de Belém. Sozinha e desamparada, diz a tradição, Raquel ora por seus filhos e obtém a promessa divina do retorno de seus filhos à Terra Prometida.

Além disso, de acordo com a tradição judaica, Adão e Eva também estão enterrados lá.

Hebron é mencionada 87 vezes na Bíblia e é a comunidade judaica mais antiga do mundo. Josué atribuiu Hebron a Caleb, da tribo de Judá, que posteriormente liderou sua tribo na conquista da cidade e seus arredores.

Após a morte do rei Saul, Deus instruiu Davi a ir a Hebron, onde foi ungido Rei de Judá e reinou na cidade por sete anos antes de ser ungido Rei sobre todo o Israel.

Mesmo depois que os romanos saquearam a Judeia e exilaram os judeus, o povo hebreu continuou a viver em Hebron, sempre que possível. Durante o período dos cruzados, os judeus foram expulsos de Hebron, mas depois, certos governantes muçulmanos permitiram que eles morassem lá. Mesmo sob os cruzados, os judeus fizeram o esforço de visitar Hebron e rezar no local do enterro dos patriarcas. Tanto Maimônides quanto Benjamin de Tudela registraram como visitaram e oraram lá, em meados do século XII.

Os bizantinos e cruzados transformaram a Caverna dos Patriarcas em igreja e os muçulmanos a converteram em mesquita. Cerca de 700 anos atrás, os mamelucos conquistaram Hebron, declararam a estrutura como sendo uma mesquita e proibiram a entrada de judeus, que não podiam passar do sétimo degrau de uma escada fora do prédio.

Hebron contém vários outros locais de significado histórico e religioso judaico, incluindo os túmulos de Othniel Ben Kenaz (o primeiro juiz de Israel), Avner Ben Ner (general e confidente dos reis Saul e Davi), e Ruth e Jesse (bisavó e pai, respectivamente, do rei Davi).

Na Primeira Guerra Mundial, antes da ocupação britânica, a comunidade judaica sofreu muito sob a administração turca, a comunidade foi ameaçada pela fome e doenças. No entanto, com o estabelecimento da administração britânica em 1918, a comunidade começou a se recuperar.

Em 1929, a cidade se tornou temporariamente “livre” de judeus como resultado de um pogrom árabe no qual 67 judeus foram assassinados e o restante forçado a fugir. Vítimas do pogrom de 1929, bem como proeminentes sábios rabínicos e figuras da comunidade, estão enterrados no antigo cemitério judaico de Hebron.

Após a Guerra dos Seis Dias de 1967, a comunidade judaica de Hebron foi restabelecida.

Hoje, Hebron é o lar de aproximadamente 120.000 árabes, 500 judeus e um punhado de cristãos.

Embora Israel tenha recuperado o controle de Hebron em 1967, Meharat HaMachpelah permaneceu sob a autoridade do Waqf muçulmano, que continua a restringir o acesso dos judeus. Nenhum visitante é permitido dentro da caverna durante os tempos de oração muçulmana, sextas-feiras ou feriados muçulmanos.

Após a assinatura do Acordo Provisório em 28 de setembro de 1995, a autoridade sobre a maioria dos assuntos civis relativos aos residentes árabes de Hebron foi transferida da Administração Civil das FDI para a Autoridade Palestina. Desde então, os palestinos controlam cerca de 80% da cidade e Israel 20% (incluindo a área onde judeus vivem). Observadores internacionais patrulham a cidade para ajudar a monitorar a situação.

Na época de Abraão, a cidade cananeia neste lugar era conhecida como Kiryat Arba. O nome foi posteriormente mudado para Hebron. Hoje, Kiryat Arba é o nome de um subúrbio de Hebron, a cinco minutos da Caverna de Machpelah e do coração da cidade. Fundada em 1971, Kiryat Arba foi a primeira comunidade judaica renovada na Judeia e Samaria. Atualmente, Kiryat Arba abriga mais de 6.000 judeus que têm a reputação de estar entre os mais zelosos defensores da ideia de que os judeus têm o direito de viver na Cisjordânia.