
Se há uma ocorrência comum na longevidade, são as dores. Elas são diversas, mutantes e imprevisíveis. Se instalam lentamente e, quando menos se espera, tornam-se parte da gente e da nossa vida.
As dores físicas são as mais comuns. É praticamente impossível conhecer alguém sem dor a partir dos 50 anos. Se a pessoa é atleta, as dores vão e vêm com a frequência de um anúncio em rede social. As articulações são as regiões mais afetadas: ombro, joelho, calcanhar, cotovelo, pescoço, punho, mãos e quadril são campeãs. Se não é atleta, a saída costuma ser fisioterapia, médico ou farmácia.
As musculares são dores inquietas. Você dorme sem e acorda com elas. Uma companhia indesejável, mas sempre presente: nas costas, nas pernas, nas mãos ou em outro lugar inesperado do corpo.
As dores psicológicas são as mais difíceis, porque chegam sem avisar e nem sempre a gente tem os instrumentos para lidar com elas. Emergem tanto do mundo real, das relações pessoais, quanto da mente — essa malandrinha que desafia nossa resiliência.
As dores afetivas dialogam com as psicológicas. Com o tempo, a solidão entra na nossa vida sem pedir licença e se instala num lugar privilegiado da casa. Os filhos crescem e vão, os casamentos se desfazem, as relações amorosas escasseiam, os amigos idem — e os aplicativos entram em cena para atenuar a dor, mas já não servem mais de consolo.
A dor financeira é daquelas que incomodam, não porque o dinheiro esteja escasso, mas porque é difícil encontrá-lo depois de uma certa idade.
As dores não são exclusivas de quem já passou dos 50, mas, na maturidade, elas se tornam dissimuladas, múltiplas e exponenciais. Mesmo assim, seguimos em cena, dançamos conforme a música, defendemos um território invisível que deveria ser multigeracional, persistindo como sempre: desafiando a inteligência humana e artificial, para provar que estamos vivos e ativos, apesar das dores que nem Dorflex resolve.
E assim seguimos, sem chorar o leite derramado, cada dia mais convencidos de que envelhecer não é para amadores. O tempo nos ensinou uma grande lição: paciência.



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