
Só se pode alcançar um grande êxito quando nos mantemos fiéis a nós mesmos.
– “Quer ser feliz? Então, não case!”, dizia rindo, meu amigo, Monsenhor Francisco Leite, O Padre Xico. E continuava:
– “Se quer fazer o outro feliz, então você se casa!” E continuávamos rindo.
Xico foi meu dirigente espiritual por mais de 30 anos, na Paróquia São Judas Tadeu, em Santos, onde atuou por quase cinquenta anos. Lembro dessa conversa quando celebro mais um ano junto com minha mulher, Silvia. Já são quarenta e dois. Bastante, não? Seguimos, ambos, a receita do Xico.
Casamento?! O que a tem a ver com o tema desta coluna, o mundo do trabalho?Fidelidade!
Na minha visão, o tema remete não só à quantidade de tempo que passamos ligados a algo ou alguém, mas com qual intensidade vivemos esse tempo. A fidelidade é testada pelo “como” e não só pelo “quanto”.
Tratamos desse assunto num momento em que as conexões entre profissionais e empresas é volátil. Os tempos em que se trabalhava em uma mesma empresa até a aposentadoria não existem mais. Até os RH`s, que viam com maus olhos os currículos de candidatos que “pulam” de uma empresa para outra, já têm outra forma de ver esse tema.
Enriquecer a carreira com novas experiências, adquiridas em diferentes setores e interagir com pessoas e culturas organizacionais diversas, é positivo. Se surgiremnovas e desafiadoras oportunidades num mesmo local de trabalho, é bom também.
Se entendermos que não há mais espaço para crescimento profissional, procurar umnovo local é um dever que cada tem consigo mesmo. Com responsabilidade, mas sem medo, é bom ter certeza de que estamos no lugar certo.
Quem trabalha e quem oferece trabalho parece estar vibrando em frequências diferentes, olhando para sentidos opostos. Em algum ponto, no meio do caminho, temos que nos encontrar.
Cada vez que uma empresa perde um profissional, junto com ele vai-se o investimento feito para selecionar, capacitar e manter o profissional. Perde-se o histórico, além da sensação de instabilidade que é passada para a equipe.
Os profissionais, por sua vez, se errarem na avaliação sobre sair ou ficar, perdem a chance de crescer de forma consistente na carreira. Trocar de ambiente pode ser bom, mas tem que pagar o preço de começar novamente.
Empresas devem viver os valores que afirmam possuir. Não estou falando de revê-los. Não trocamos de valores, como trocamos de roupa. Ao praticá-los de forma consistente, anunciamos de forma clara que tipo de organização somos. Quem vier até nós em busca de trabalho, saberá com quem está se envolvendo.
Ao fazer isso, criamos alinhamento com algo que faz sentido para a geração atual: propósito. Eles saem de casa para o trabalho se, e somente se, acharem que vale a pena de verdade. É mais do que a tarefa em si, ou quanto pagamos entre salários e benefícios.
Os jovens profissionais, por sua vez, precisam entender que as curvas de aprendizado devem ser respeitadas. Não dá para pular de estagiário a diretor num único movimento. Experiência vem do trabalho duro, de aprender com os erros, mais do que com os acertos e acumula-se com o tempo. Queimar etapas inviabiliza a carreira.
Há um ponto em que empresas e profissionais erram juntos: promover alguém por ver nele uma ou duas competências bem desenvolvidas na posição atual. Esquecem de avaliar se a pessoa em questão tem as competências necessárias para a próxima fase. Funciona agora, mas será um risco no futuro. Erra quem promove, erra quem aceita.
Há muito o que aprender e muito o que ceder. Vamos acertar juntos?



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