
O enorme João Ubaldo Ribeiro certa vez disse, de forma muito feliz, que a Bahia foi inventada por Jorge Amado. É mesmo isso: foram pelas bem traçadas linhas de Jorge que a belíssima mitologia da Bahia de Todos-os-Santos e de todo o Recôncavo Baiano ganhou forma e conteúdo e conquistou o mundo.
Mar morto é vivido sob a lei muito própria da beira do cais da Bahia. Todos ali vivem do mar e para o mar. Gerações se sucedem, vidas se cruzam e se entrecruzam, amores começam e terminam, pequenas felicidades e grandes tragédias se anunciam, e tudo segue como sempre foi: a vida pobre dos velhos que ensinam os novos a andar sobre o mar com seus saveiros enquanto suas mulheres aguardam, em agonia, o retorno de seus homens do mar venturoso.
Jorge fez de tudo neste romance: transformou o cais num lírico personagem vivo e pulsante, introduziu todo o bonito sincretismo religioso baiano nas águas do mar bravio, criou personagens inesquecíveis, revelou a difícil peleja dos trabalhadores e fechou a tragédia com toque de ouro. A par de tudo isso, Mar morto é também e sobretudo a fusão do grande amor de Guma e Lívia com a força de uma natureza imprevisível que ora entrega um mar reluzente de estrelas para mais tarde revolver suas águas com tubarões e tempestades.
Belíssimo, Jorge.
Motivos para ler:
1- Jorge Amado (1912-2001) dispensa apresentações. Há muitos motivos para o brasileiro se orgulhar de sua pátria, e a literatura brasileira é, sem dúvida, um deles. Seus livros foram vertidos para o teatro, cinema e TV com enorme sucesso. O universo amadiano é mesmo uma das grandes joias da cultura brasileira. Sugerimos apreciar sem moderação;
2- Apesar do ambiente absolutamente masculinizado do cais, são as personagens femininas que dão o verdadeiro deslumbre ao romance: a professora Dulce com sua profecia, a intrépida mulata Esmeralda, a destemida Rosa Palmeirão com seu comovente pedido e, claro, Lívia. Esta última, aliás, tomará para si a função heroica do romance com absoluta propriedade. Algumas cenas protagonizadas por essas mulheres são de uma beleza tristíssima que chegam à perfeição;
3– É conhecido o belo amor vivido por Jorge e Zélia Gattai. São dela estas doces palavras sobre Mar morto: “Mar morto foi o primeiro livro de Jorge Amado que li. Li e adorei a história de amor passada no mar da Bahia, um romance que faz sonhar, cheio de poesia. Eu estava longe de imaginar que um dia conheceria o autor, que por ele me apaixonaria, que seria por ele amada e que, juntos viveríamos 56 anos de puro e verdadeiro amor.”



Excelente resenha! E percebi lendo a mesma, que a novela Porto dos Milagres, deve ter tido como base esse livro, por causa dos nomes das personagens rs
Maravilhoso texto…. parabéns Rafael….
Interessante a resenha
Grato
Um grande romance que destaca a cultura afro-brasileira, o aspecto social dessas pessoas e a interação com a vida no mar.
Tenho vergonha que confessar que nunca li nada do autor . Mas ja e a segunda resenha em que ele é tao bem recomendado pela coluna que em breve irei lê-lo. Ademais, sempre um deslumbre ler literatura brasileira. Parabens pela coluna!
Ainda não li Jorge Amado, mas essa coluna me chamou muita atenção, especialmente pela forma como retrata as mulheres, não como coadjuvantes, mas como centelhas de beleza e força no universo dos homens do mar. Parabéns pela sensibilidade e coesão do texto .
Ahhhh os romances de Jorge Amado
Ahhhh o mar da Bahia
Quero ser, quero ter, quero viver tudo isso
Obrigado Medeiros
Que texto envolvente, Rafael!
Nunca li Jorge Amado (ainda!), mas essa resenha me despertou uma vontade enorme mergulhar. Adorei saber que as personagens femininas têm tanto destaque em meio a um ambiente tão masculino.
Obrigada pela inspiração!
Já vai pra minha lista!!
Com vergonha, confesso que comecei e não terminei um título de Amado(devo ter tido azar na escolha,considerando seu entusiasmo com o autor – e não só seu!)
Bela resenha Rafael.
Prezado Dr. Rafael, muito obrigado pelas sempre excelentes recomendações. Como disse o advogado Atticus, temos que entrar nas batalhas mesmo sabendo da derrota. Aqui no nosso Brasil a esperança de retorno para a iluminação que nunca chegou é uma vitória inalcançável, o nosso retrocesso é tremendo, no entanto, ainda temos luta incessante, seja por meio dessas riquíssimas obras, fruto da genialidade do brasileiro, seja pelos mensageiro iluminados do nosso presente, o qual o maior expoente da atualidade está aqui.
Gostaria de deixar aqui uma observação da nossa triste realidade, os heróis atuais são covardes que fogem pros EUA, suas mulheres são ignóbeis sem cérebro que mandam milhões de pix para sustentar um covarde que não volta. Nunca desistiremos.
Prezado Dr. Rafael, muito obrigado pelas sempre excelentes recomendações. Como disse o advogado Atticus, temos que entrar nas batalhas mesmo sabendo da derrota. Aqui no nosso Brasil a esperança de retorno para a iluminação que nunca chegou é uma vitória inalcançável, o nosso retrocesso é tremendo, no entanto, ainda temos luta incessante, seja por meio dessas riquíssimas obras, fruto da genialidade do brasileiro, seja pelos mensageiro iluminados do nosso presente, o qual o maior expoente da atualidade está aqui.
Prezado Dr. Rafael, muito obrigado pelas sempre excelentes recomendações. Como disse o advogado Atticus, temos que entrar nas batalhas mesmo sabendo da derrota. Aqui no nosso Brasil a esperança de retorno para a iluminação que nunca chegou é uma vitória inalcançável, o nosso retrocesso é tremendo, no entanto, ainda temos luta incessante, seja por meio dessas riquíssimas obras, fruto da genialidade do brasileiro, seja pelos mensageiro iluminados do nosso presente, o qual o maior expoente da atualidade está aqui.