Cena

O adeus a Dorinha Duval, atriz e artista plástica que morreu aos 96 anos

22/05/2025 Gustavo Klein
Estadão Conteúdo

Morreu ontem, aos 96 anos, a atriz Dorinha Duval, nome artístico de Dorah Teixeira. Com uma carreira que atravessou rádio, teatro, televisão e artes plásticas, Dorinha se destacou como uma das figuras mais marcantes da cena cultural brasileira entre as décadas de 1950 e 1980.

Paulistana, Dorinha iniciou a carreira ainda jovem como cantora e dançarina em cassinos e boates. Foi na orquestra do maestro Robledo que ganhou o apelido de “Dorah Maraca”, por tocar maracas nas apresentações. O talento e o carisma abriram caminho para o teatro de revista, onde brilhou como vedete sob direção de nomes como Walter Pinto e Carlos Lisboa.

Na transição para a televisão, atuou em emissoras como Tupi, Excelsior e Globo. Estreou na TV Globo em 1969, na novela Verão Vermelho, e rapidamente conquistou o público em tramas como Irmãos Coragem (1970), Selva de Pedra (1972) e O Bem-Amado (1973), em que interpretou Dulcinéia Cajazeira, uma das moralistas irmãs da fictícia cidade de Sucupira.

Seu papel mais lembrado por muitas gerações, no entanto, foi o de Cuca, na primeira versão do Sítio do Picapau Amarelo, exibido entre 1977 e 1978. Com maquiagem marcante e interpretação intensa, Dorinha deu vida à temida vilã do universo de Monteiro Lobato.

A carreira, no entanto, sofreu uma reviravolta dramática. Em 1980, Dorinha matou o então marido, o publicitário Paulo Sérgio Garcia de Alcântara, com quem vivia um relacionamento conturbado e marcado por episódios de violência. Condenada, cumpriu pena em regime semiaberto e se afastou da vida artística.

Após esse período, encontrou nas artes plásticas um novo caminho, passando a produzir esculturas com temática esotérica. Em 2002, lançou a autobiografia Em Busca da Luz, na qual narra sua trajetória profissional e episódios de dor e superação.

Discreta nos últimos anos, vivia reclusa. Dorinha deixa a filha, a também atriz Carla Daniel, fruto de seu relacionamento com o também ator e diretor Daniel Filho, e um legado de personagens marcantes que ajudaram a moldar a história da televisão brasileira.