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Sucesso Profissional: o Ensino Superior é a única opção?

12/05/2025 Hudson Carvalho
Sucesso Profissional: o Ensino Superior é a única opção? | Jornal da Orla

 Acompanho o Poeta, questionando o sonho que habita a imaginação dos brasileiros: o diploma universitário. E a ideia de que ele é o passaporte para uma vida profissional de sucesso e, por consequência, o progresso socioeconômico. Não é verdade!

Há outros caminhos , como empreender, ou a formação em Nível Técnico ou Tecnológica. Por que estigmatizamos esses cursos como algo de menor valor profissional?

Como é comum dizer que “o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”, fui buscar por lá elementos para a nossa análise: os jovens americanos vivem um fenômeno chamado “Toolbelt Generation”, fazendo alusão ao cinturão de ferramentas típico dos profissionais que põem a mão na massa. Entendem que o custo médio de 40 mil dólares investidos na formação superior, somado ao estresse dos financiamentos, não compensa. Desde o início da pandemia, cerca de 900 mil jovens optaram por não matricularem-se numa Universidade.

Ainda: o custo da formação em nível técnico naquele país vai de 3,6 mil a 16 mil dólares e cerca de um ano para ser concluído. Um encanador (ou um profissional de instalação de aquecimento residencial) ganha, em média, 61.55 mil dólares anuais. O salário médio de um técnico é de 48.060 pelo mesmo período, segundo o US Bureau of Labor Statistics.

Por outro lado, um estudo da Universidade Georgetown mostra que, até 2031, 72% das atividades laborais vão exigir nível superior de estudos. Leia-se capacidade de pesquisar. O mesmo estudo mostra que, ao final da carreira, um profissional de nível superior terá ganhos de 1,2 milhão de dólares acima do profissional de nível médio.

E no Brasil? Aqui, o aspecto financeiro pesa menos na decisão. Há muitas opções de qualidade com baixo custo. O aspecto cultural influencia mais. Os números oficiais mostram que apenas 11% dos jovens entre 19 e 24 anos optam pelo Ensino Técnico. Em países como Alemanha, Suíça e Cingapura, esse número é de 44%. Quatro vezes mais. Até aqui não fiz julgamento de valor. Só apresentei os números.

Daqui para frente farei o contrário: a defesa do Ensino Técnico e Tecnológico como opção concreta de início de carreira, uma vez que os conhecimentos e habilidade que eles fornecem permitem uma inserção mais rápida e com qualidade no mercado de trabalho.

Nada impede que, mais tarde, com disciplina e dedicação, o acesso à universidade seja feito também. Me parece um caminho natural, que não carrega com tanta responsabilidade a decisão de escolher uma carreira sendo ainda tão jovem, desconhecendo as inúmeras possibilidades que o mercado de trabalho oferece hoje em dia (42% dos estudantes dessa faixa etária, pouco conhecem sobre cursos profissionalizantes).

Outro argumento contra os Cursos Técnicos e Tecnológicos é que eles são voltados para áreas básicas do conhecimento. Não é verdade! O Senac/RJ possui um Programa denominado Etim– Estudo Técnico Integrado ao Médio – que oferece opções nas áreas de Administração, Multimídia e Inteligência Artificial. O Centro Paula Souza e as Fatec’s e Etec’s oferecem opções que incluem Nutrição e Dietética, Gestão de Eventos, Gastronomia e Hospedagem. Há oportunidades, variadas e sofisticadas à disposição de quem tiver a visão de olhar esse universo, que é muito mais amplo do que os casos que cito aqui.

Já há uma luz no fim do túnel. De 2022 para 2023, houve uma alta de 12% nos ingressos aos cursos de Educação Profissional e Tecnológica. Vamos acompanhar esses números, mas as palavras são: disposição, disciplina e vontade de aprender e crescer. Elas definirão o sucesso. Na vida, não apenas na escola.