
Senhoras e senhores, respeitável público, esta é a história de uma mulher que empreende no país com sua arte, espalha conscientização ambiental e dissemina cultura além das divisas e fronteiras brasileiras.
O sorriso largo, a leveza e a alegria contagiantes de Thays Oliveira fazem qualquer pessoa entender que a vida pode até ser cheia de percalços mas seria loucura não fazer dela um palco.
Agora, eu quero te convidar a um espetáculo diferente. Ele não tem imagens, nem som mas sinta-se na plateia.
Apenas siga essa leitura e estimule sua imaginação enquanto eu vou te apresentando quem é a mulher que tem jeito de menina, mas sabe se posicionar ao comandar a Trupe do Mar.
A BAILARINA VIAJANTE
Thays sempre respirou arte, mas enfrentou um processo até mergulhar de vez no seu propósito de vida. Assim que concluiu o Ensino Médio, ela encarou a Biomedicina, mas o curso precisou ser interrompido. “As coisas ficaram difíceis em casa e eu precisei trancar a faculdade. Aí falei aos meus pais que ia voltar a estudar quando eu parasse de dançar, mas que eu queria muito dançar naquele momento”, conta.
Seis meses depois, a bailarina seguia para a primeira viagem internacional e sozinha. “Eu passei em um casting e foi super curioso porque eu liguei pra minha mãe e perguntei a ela como fazia para tirar um passaporte. Ela me respondeu que achava que era na Polícia Federal e eu disse a ela que em vinte dias eu embarcaria pra China.” Thays seguiu para o país asiático para trabalhar como bailarina em uma companhia de dança junto com vinte bailarinos.
“Fazíamos shows que duravam uma hora em um resort que ficava na Ilha de Hainan, a menor província da China. Eu demorei umas trinta horas pra chegar lá. Era um lugar totalmente longe, desconhecido pra mim, eu não falava inglês. Levei caderno, dicionário e aprendi inglês e chinês pra me virar. Foi muito enriquecedor”, explica.
A permanência na China durou o tempo do contrato: seis meses. Thays voltou transformada diante de tantos desafios, inclusive de convivência, além do choque cultural. Logo após retornar ao Brasil, a bailarina conseguiu um emprego numa loja de departamento mas a experiência não deu certo: “Eu estava super infeliz, sai e comecei a trabalhar em companhias de dança menores aqui em Santos e em São Paulo até que uma amiga minha disse pra mim: Thays quanto tempo você vai esperar mais pra voltar para o mundo? Você não é pra ficar aqui.”
Poucos meses depois, Thays passou em um teste para compor o corpo de baile em uma companhia coreana e lá foi ela se aventurar novamente. Trabalhou em um parque temático na Coréia das 10 da manhã às 22 horas, depois fez outros trabalhos na China e no Japão, onde conheceu um bailarino que trabalhava a bordo de navios de cruzeiros.
Em 2012, Thays começava uma nova jornada pelo mundo se apresentando nos palcos de transatlânticos. Foi assim que conheceu seu companheiro, o chileno e artista circense Jorge Olivares. Ao longo da convivência em alto mar, eles decidiram planejar um novo futuro e investir em um sonho: trabalhar por conta própria e ser dono da própria arte.
A dona da Trupe do Mar: o circo contemporâneo

Antes da Trupe do Mar, Thays e Jorge montaram uma pequena companhia circense de acrobacias e trabalharam em empresas, eventos e festas. Mas tinham o desejo de tirar do papel um espetáculo. Pra isso precisariam de mais gente atuando foi então que surgiu a Trupe do Mar.
“A Trupe veio a partir da estreia, em 2022, do espetáculo Sobre as Ondas. Isto foi possível graças ao ProAC, o Programa de Ação Cultural. Nós fizemos a inscrição e fomos contemplados com a verba da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo destinada ao programa. O espetáculo foi a realização de um sonho escrito durante a pandemia. Nós morávamos perto da praia e com a Covid, tudo parado, nós olhávamos para o mar e ficávamos impressionados com a quantidade de aves e de tartarugas que apareciam nas praias. Eu e o Jorge somos apaixonados pelo mar”, explica Thays.
Hoje, Thays e Jorge vivem da paixão mútua que é divertir e transmitir mensagens através da arte circense contemporânea. Assim, eles espalham para os locais onde se apresentam muita consciência ambiental. Para levar tudo isto ao público, participam de editais de programas de incentivo à Cultura lançados pelos governos municipal, estadual e federal. No ano passado, a Trupe do Mar foi contemplada pela Lei Federal Paulo Gustavo, possibilitando 18 apresentações em 12 cidades do litoral paulista. “Essa obra circense foi um presente para nós e para o público porque fala sobre a vida de quem está perto da praia”, conta Thays. O trabalho foi feito com a Bordallo Produções Culturais.
De bailarina, Thays virou uma empresária do ramo circense contemporâneo. “Empreender é financiar meus próprios sonhos e saber que quando eu realizo este sonho ele ressoa com o sonho de muita gente. Quando eu levo um espetáculo a um teatro e a uma praça, eu sinto que ali tá todo mundo sonhando junto comigo. Cada vez que inscrevo um projeto em um edital eu compartilho e também recebo das pessoas o brilho no olhar”, explica.
Uma mulher comandando uma trupe também é um sonho desafiador. Quando eu perguntei pra Thays o sentimento em ocupar essa posição, ela confessou: “É um espaço novo este que estou habitando. É difícil ver mulheres à frente de companhias de circo, um lugar masculino. O Brasil é referência no circo e eu, como mulher, no controle de uma companhia já é um vitória. Então, pra mim é uma honra, um desafio, é maravilhoso”.



Deixe um comentário