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Cocaína

18/08/2018
Cocaína | Jornal da Orla

O uso da cocaína é histórico e há referências culturais entre os andinos desde o século X. Usado como estimulante e em cerimônias, foi inicialmente proibido pelos conquistadores espanhóis e posteriormente liberado ao perceberem que os índios perdiam em produtividade sem o uso regular de mascar as folhas.

 

Levado para a Europa no século XVII, a cocaína passou a ser vendida em tônicos estimulantes e recebeu avaliações positivas de Freud, criador da psicanálise, e dos Papas Pio X e Leão XIII. No Brasil, a cocaína era livremente vendida em farmácias, ambulantes e em bares.

 

A cocaína é um alcaloide derivado da planta coca com ações estimulantes do sistema nervoso, reduz sensivelmente a fome e dá ao usuário uma sensação de euforia e de resistência física. O usuário não se sente cansado a despeito de não dormir ou se alimentar. Se o uso tradicional permitia ao povo andino adaptar-se às dificuldades do ambiente, na sociedade urbana passou a representar um grande problema percebido no início dos anos de 1900, quando começou a ter restrições de comercialização e de consumo nos EUA.

 

Se a cocaína tem efeito estimulante no início do uso, com o fim de seu efeito sobre o corpo passa a produzir um estado de agressividade, agitação e delírios persecutórios. A cocaína dá ao seu usuário coragem e sensação de autossuficiência que se torna perigosa quando seu uso está associado à condução de um veículo ou a um ato criminoso.

 

O uso da cocaína promove a compulsão, que é a necessidade incessante de usá-la. Isso ocorre porque o efeito de bem-estar não se repete na mesma intensidade e o usuário persegue a “melhor” sensação sem se deter. Repetindo sem parar a administração da cocaína. Todas as formas de uso de cocaína produzem o mesmo efeito, mas o crack, que é forma fumada, tem menor tempo de efeito e a repetição da dose é mais intensa.

 

Os efeitos negativos da cocaína são muito intensos, começando com alucinações. Como exemplo, há relatos de usuário que veem árvores transformando-se em pessoas usando armas tentando matá-los. O indivíduo nessa condição tende a se defender, destruindo o que encontra e passa agir de forma bastante agressiva. Essa situação é agravada pela sensação de que todos querem lhe fazer mal, não há confiança em ninguém. 

 

Esse estado é conhecido como “nóia”. Nesse momento o usuário perde o controle de seu comportamento e passa a ter comportamentos repetitivos, como acender e apagar as luzes. Esse sofrimento sem fim, causado pela falta da substância no corpo faz com que o usuário busque mais a droga, para sair dessa condição. É isso o torna cada vez mais dependente.