Velho, eu?

Voltar para casa

25/10/2025 Ivani Cardoso
Reprodução Pexels

Quando eu viajo, não sinto saudades de casa. Procuro viver o presente, a cidade em que estou, todos os momentos especiais como olhar a paisagem, as pessoas, a vida acontecendo em outros lugares e em mim. Gosto de tomar um café da manhã sem pressa no hotel, repleto de opções; caminhar sem destino; comer onde der vontade, sem a preocupação com guias e indicações seguras; aproveitar um pôr do sol diferente e tantas outras pequenas coisas e prazeres distantes do dia a dia.

Na volta, a saudade de casa se faz presente. Abrir a porta e reencontrar os cantos conhecidos que me acolhem. Muitos me perguntam: você não se incomoda de morar sozinha? De passar mal e não ter como pedir ajuda durante a noite? De não ter com quem conversar quando tem vontade?

Não me incomodo, eu gosto de morar sozinha. Isso não quer dizer que eu não gostaria de ter alguém ao meu lado, mas se você não tem a sorte de viver um casamento feliz e duradouro, em que os dois envelhecem juntos equilibrando erros e acertos, não é motivo para se lamentar, são escolhas.

Se você tiver algum problema de saúde, pode ser complicado, mas quantos não têm, mesmo em companhia? Acredito que é possível se preparar para ter uma vida mais saudável, embora nem tudo possa ser previsto. Manter contato frequente com amigos e parentes mais próximos é uma combinação perfeita.

A casa é o nosso melhor canto do mundo e deve ser segura. O acaso ou o destino tem lá a sua parte na história. Comprei um desengasgador, pensando na possibilidade de não haver quem fizesse, se fosse necessário, a tal manobra de Heimlich. Mesmo assim, não há garantias de nada. Claro que meus filhos acharam um exagero, mas melhor prevenir. Tirei tapetes, coloquei barras de segurança no banheiro, não me levanto no escuro e procuro tomar cuidado para não deixar nada pelo chão. O celular geralmente está por perto, claro.

Muitos, quando envelhecem, preferem ficar em casa: evitam sair à noite, com chuva; gostam do conforto do sofá, da coberta, dos filmes e livros. Também gosto, mas acho importante abrir a casa para os amigos, trazer movimento, alegria, boas conversas, energias de pessoas que nos fazem bem.

Dá preguiça? Dá trabalho? Dá despesa? Sim, mas o resultado surpreende, pode ser muito bom. E hoje é tudo mais fácil e prático. Não é preciso receber em grande estilo, com copos, pratos e cardápios especiais. Descontração é o ingrediente principal para um bom encontro. Quem cozinha pode fazer uma sopa ou torta gostosa, e os amigos trazem o vinho; comprar pães e pedir que tragam alguns queijos diferentes. Ou pizza, que não tem erro. Repartir e compartilhar é muito bom, e todos colaboram com prazer, eu garanto.