Esportes

Vladimir Passos, um santista campeão mundial master de natação

07/09/2025 Eduardo Silva
Arquivo Pessoal

O jurista e nadador de Santos conquistou a medalha de ouro na categoria de 80 a 85 anos

Ser campeão mundial é a consagração de todo esportista que disputa campeonatos em alto nível. É mostrar força, técnica, disciplina e determinação, mas ser o melhor do mundo aos 80 anos, desafiando o tempo, é ainda mais relevante porque revela uma preparação mais cuidadosa que não envolve apenas o esporte. A conquista se torna maior numa modalidade tão complexa como a natação e se torna uma façanha quando o vencedor se dedica a nadar os 400 metros meddley, os quatro estilos numa só prova. Ufa. Só de pensar já cansa e dá um orgulho maior ainda de saber que o santista Vladimir de Passos Freitas, desembargador aposentado do Tribunal Regional Federal do Paraná, se consagrou como o número um no Mundial de natação master, em Singapura.

Na mesma piscina em que os atuais melhores do mundo ganharam suas medalhas e bateram recordes. Os amigos que conhecem Vladimir, que mora em Curitiba, mas não abre mão de encontrar os colegas da Confraria do Café, no Shopping Parque Balneário, em Santos, sabem que essa conquista não veio por um caso. O segredo está na forma de encarar a vida. A seriedade que sempre teve no trabalho, com a dedicação ao esporte e as amizades de longo tempo alimentaram esse espírito jovem, de uma pessoa que está sempre de bem com a vida.

Vladimir nadou desde cedo na piscina mágica do Clube Internacional de Regatas, que teve o mestre Adalberto Mariani com o grande comandante daquela fantástica equipe santista que ganhou um inédito título brasileiro diante dos fortes rivais do eixo Rio São Paulo. O Inter revelou o recordista mundial Manoel dos Santos, Daltely Guimarães, que foi técnico da Seleção Brasileira, entre tantas outras feras. Vladimir era especialista no nado borboleta, foi campeão santista várias vezes e vice-campeão paulista.

A profissão o afastou das competições por um tempo, mas voltou nos anos 1990 quando trabalhava em Porto Alegre. Começou a treinar diariamente, o que foi determinante para uma vida saudável. A rotina fazia tão bem que até os colegas de trabalho percebiam a diferença.

“Vou te contar uma coisa, na presidência do TRF, quando eu estava nervoso, vinha um colega e perguntava: hoje o senhor não nadou não, né? Ai, eu me mancava, caia a ficha e me acalmava”. Com a volta aos treinos, ele começou a competir. Depois da aposentadoria, em 2006, passou a treinar mais forte. Aos 70 anos, esteve no Mundial de Kazan, na Rússia, e ficou em oitavo lugar. Aos 71 anos, foi campeão sul-americano, em Maldonado, no Uruguai.

“Eu voltei nos anos 90 e agora, com muita raça, com muita dedicação, fui campeão mundial. Ficaria contente com a medalha de bronze, já tinha me preparado para isso, mas lá em Singapura os astros conspiraram para isso. Quando vi o meu nome na tela do placar eletrônico, nem acreditava, mas a alegria foi muito grande. Foi uma conquista de muito sacrifício, obstinação”.

Vladimir revela que a vida saudável é o mais importante. Come muitas frutas, cereais, só bebe socialmente, não faz excessos e não abre mão dos exercícios. “Quando estou em Santos, procuro fazer todos os percursos a pé. Se possível, uso escada em vez de elevador”. Para o Mundial, treinou bastante e não só na piscina. Também teve treinamento funcional, específico para a natação. Para Vladimir, o fundamental é estar em movimento. “Se não der para nadar, caminhe, pedale. Eu, quando tiver que parar, vou jogar sinuca. O que a gente não pode é ficar parado reclamando da vida”.

E ele não para mesmo, além dos treinos, de palestras, de gostar de cinema e do convívio com os amigos, Vladimir prepara um livro sobre a história da justiça de Santos. “Tenho conversado com amigos advogados, historiadoras, para terminar este trabalho”. Haja fôlego. Apesar da vitória e da consagração no Mundial de Natação, Vladimir define de forma simples o sucesso no esporte. “Eu não sou um talento. Santos teve grandes talentos como Moacyr Rebello dos Santos, que foi um monstro. Eu não sou esse talento. Eu sou o esforço que deu certo”.